Quem está por trás desta onda de vendas no mercado de criptomoedas? O sócio da Pantera Capital Franklin Bi deu uma resposta surpreendente: não são instituições nativas de criptomoedas, mas uma entidade misteriosa de grande dimensão, originária da Ásia, envolvida em arbitragem de ienes.
(Resumindo: o Banco do Japão está a preparar-se para subir as taxas de juro, será que o mercado de criptomoedas vai repetir o cenário de queda?)
(Informação adicional: a origem do fundador da Pantera Capital: a lenda de comprar Bitcoin a 65 dólares, mil vezes mais barato)
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O mercado de criptomoedas tem vindo a desabar dia após dia, mas quem é que está a vender em massa? Franklin Bi, sócio da Pantera Capital, publicou na plataforma X uma hipótese que chama a atenção: o responsável por esta venda em massa, por trás do mercado, não é uma empresa de trading dentro do cripto, mas uma grande entidade asiática de fora do setor.
Franklin Bi aponta que a razão pela qual esta entidade misteriosa não foi descoberta a tempo pela comunidade cripto é devido ao seu “número limitado de contrapartes em cripto”. Em outras palavras, trata-se de uma instituição financeira tradicional, que não tem o cripto como principal atividade, e cuja atividade em exchanges como a Binance não despertou a atenção dos players nativos de cripto.
Como investidor experiente, que fundou a equipa de blockchain do Morgan Stanley e entrou na Pantera em 2019, Franklin Bi traça um possível percurso desta entidade:
Fazendo trading com alavancagem e market-making na Binance → Fechamento de posições de arbitragem de ienes → Crise de liquidez extrema → Período de carência de cerca de 90 dias → Tentativa de recuperar perdas com trading de ouro/prata falhada → Esta semana, forçada a liquidar posições
a minha hipótese é que não se trata de uma firma de trading focada em cripto, mas de alguém grande fora do cripto, provavelmente baseado na Ásia, com contrapartes muito poucas em cripto.
por isso ninguém os detectou na CT.
alavancagem confortável e market-making na Binance → Arbitragem de JPY…
— Franklin Bi (@FranklinBi) 5 de fevereiro de 2026
A hipótese de Franklin Bi aponta para um fator de risco que tem sido subestimado há muito tempo: a arbitragem de ienes (Yen Carry Trade). Esta estratégia consiste em emprestar ienes a juros baixos e investir em ativos de maior rendimento (incluindo criptomoedas), num mercado global estimado em mais de 1 trilhão de dólares.
Com o Banco do Japão a continuar a subir as taxas — em dezembro de 2025, a taxa de juro política atingiu 0,75%, e espera-se que em meados de 2026 suba para acima de 1,0% — o custo desta arbitragem aumenta drasticamente, forçando o encerramento de posições alavancadas. Dados históricos mostram que, desde 2024, cada aumento das taxas do Banco do Japão tem provocado uma queda média de mais de 20% no preço do Bitcoin.
A Apollo Asset Management também emitiu recentemente um aviso, alertando que o risco de encerramento de posições de arbitragem de ienes está a aumentar, podendo desencadear uma cadeia de impacto nos ativos de risco.
De acordo com a linha do tempo de Franklin Bi, esta entidade asiática conseguiu cerca de 90 dias de fôlego após a crise de liquidez se instalar, tendo tentado recuperar perdas através de trading de ouro e prata, mas acabou por fracassar, sendo forçada a liquidar posições nesta semana para cortar perdas.
Se esta hipótese for verdadeira, significa que esta venda em massa pode estar a chegar ao fim — pois a liquidação forçada indica que a maior pressão vendedora está a ser libertada. No entanto, dado o volume colossal da arbitragem de ienes, o mercado deve manter-se atento a possíveis entidades semelhantes em dificuldades.
Este colapso provocado por forças externas ao mercado lembra-nos mais uma vez: num mundo financeiro altamente interligado, o risco no mercado de criptomoedas pode vir de qualquer canto inesperado.