Não mais falar isoladamente! A SEC e a CFTC assinam uma cooperação histórica, a regulamentação de criptomoedas será coordenada e integrada

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SEC e CFTC assinam Memorando de Entendimento histórico, pondo fim às disputas de jurisdição sobre ativos digitais, iniciando uma iniciativa de harmonização conjunta, rumo a regras transparentes e regulamentação de dose mínima eficaz.

Adeus à regulamentação puramente punitiva, assinatura de memorando de cooperação histórica

O sistema de supervisão financeira dos EUA vive uma mudança significativa. A Comissão de Valores Mobiliários (SEC) e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) assinaram oficialmente ontem (11/03) um memorando de entendimento (MOU) histórico, marcando o fim de anos de disputas de jurisdição entre as duas principais agências.

Este acordo estabelece uma estrutura de coordenação para ativos digitais, abrangendo elaboração de regulamentos, supervisão de mercado, compartilhamento de informações e aplicação conjunta da lei. Durante o governo de Joe Biden, a SEC insistia que a maioria dos tokens, além do Bitcoin ($BTC), fossem considerados valores mobiliários, enquanto a CFTC defendia que a maioria dos ativos digitais possuem características de commodities. Essas divergências resultaram em ações de fiscalização duplicadas e incerteza regulatória.

Desde o lançamento do “Projeto Crypto” em janeiro de 2026, as duas agências demonstraram uma disposição sem precedentes para cooperação. O presidente da SEC, Paul S. Atkins, afirmou que o modelo de definir regras apenas por meio de fiscalização acabou, e que o futuro será baseado em diálogo e regras transparentes. Este memorando, com força legal, simboliza a transição oficial de uma postura de confronto para uma de colaboração.

Atkins destacou que a fragmentação regulatória enfraqueceu a competitividade dos EUA, levando empresas inovadoras a migrar para o exterior, e que este memorando servirá como um roteiro, oferecendo clareza aos participantes do mercado.

Implementando o princípio da dose mínima eficaz

Para transformar o conteúdo do memorando em ações concretas, a SEC e a CFTC anunciaram a criação da “Iniciativa de Harmonização Conjunta” (Joint Harmonization Initiative), liderada por Robert Teply, da SEC, e Meghan Tente, da CFTC. Essa iniciativa integrará a coordenação entre as agências na rotina operacional, com uma estrutura substancial.

As duas entidades planejam adotar o princípio farmacológico de “dose mínima eficaz” para desenvolver estratégias regulatórias, ou seja, usar a abordagem mais enxuta, eficaz e que não obstaculize a inovação para preservar a integridade do mercado. A iniciativa priorizará seis setores-chave, buscando estabelecer uma nova ordem em um ambiente de mercado complexo.

Esses setores incluem:

  1. Clarificação da definição e classificação de produtos de ativos digitais
  2. Modernização da infraestrutura de liquidação e garantia
  3. Redução da carga administrativa de registros duplos
  4. Criação de uma estrutura regulatória específica para ativos criptográficos e tecnologias emergentes
  5. Simplificação do reporte de transações
  6. Coordenação de monitoramento de riscos e ações de fiscalização entre mercados

Para empresas que atualmente precisam reportar a duas entidades, isso significa um ambiente regulatório mais consistente e previsível, reduzindo significativamente os custos de conformidade. O presidente da CFTC, Michael S. Selig, afirmou que, com a evolução dos modelos de negociação e infraestrutura digital, a estrutura regulatória deve também se modernizar para atender às necessidades reais do mercado.

Construção de uma superaplicação regulatória, com integração e mecanismos de revisão conjunta

Durante um discurso, Atkins propôs uma ideia inovadora: que o sistema regulatório imite o funcionamento das “superaplicações” (Super-apps) do setor de tecnologia. Nesse cenário, as agências reguladoras deveriam consolidar múltiplos serviços em uma interface única e integrada, evitando que os operadores precisem alternar entre diferentes sistemas e burocracias. Na prática, a SEC e a CFTC já discutem o uso de um espaço de trabalho compartilhado em Washington, D.C., e trabalham na criação de um banco de dados unificado. No futuro, se um produto financeiro envolver atributos de valores mobiliários e derivativos, as empresas receberão orientações conjuntas, ao invés de serem obrigadas a navegar por diferentes departamentos reguladores.

As duas agências estabelecerão mecanismos de revisão conjunta, permitindo que as empresas solicitem reuniões com ambas por meio de um novo portal de harmonização, para discutir pedidos de aprovação de produtos ou interpretações regulatórias. Além disso, concordaram em evitar penalizações duplicadas por uma mesma conduta e em coordenar acusações, estratégias legais e comunicação externa em possíveis ações de fiscalização. Essa operação “por trás das cenas, sem costura aparente” visa resolver o problema de múltiplas fiscalizações sobre o mesmo assunto. Essa colaboração aumentará a eficiência administrativa e garantirá maior consistência nas opiniões jurídicas, proporcionando às empresas uma base legal mais sólida para inovação.

Avançando sem esperar por legislação do Congresso

A assinatura do memorando demonstra a determinação das agências em agir proativamente. Apesar de o Congresso dos EUA estar trabalhando na Lei “CLARITY”, que busca definir legalmente a jurisdição sobre ativos digitais, ela ainda enfrenta impasses no Senado, especialmente em relação a stablecoins, distribuição de juros e regulação de DeFi.

As ações da SEC e da CFTC enviam uma mensagem clara: as duas agências irão estabelecer suas operações de forma independente, sem esperar por mudanças legislativas. Atkins admitiu que, embora mudanças permanentes e completas dependam de uma base legal no Congresso, o memorando atual serve como uma “ponte” sólida, oferecendo estabilidade ao mercado enquanto a legislação não é aprovada.

Com o avanço do segundo mandato de Trump, as lideranças dessas agências demonstram forte alinhamento, com o objetivo de transformar os EUA na “capital global de criptomoedas”. A parceria entre SEC e CFTC simboliza uma mudança de cultura na supervisão financeira americana, de uma postura de “aplicação confrontacional” para uma de “supervisão coordenada”. Essa transformação busca equilibrar proteção ao investidor e inovação tecnológica, garantindo que os mercados financeiros dos EUA mantenham sua liderança global. Nos próximos meses, as duas entidades divulgarão detalhes do memorando e suas funções específicas, enquanto o mercado aguarda ansiosamente por esse acordo que pode acabar com a guerra de jurisdição.

Leitura adicional
Regulação sem fronteiras! SEC e CFTC unem forças para impulsionar o Project Crypto e criar uma classificação de ativos

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