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O Brasil aprova lei que transforma criptomoedas apreendidas em fundo de guerra para a segurança pública
O Brasil promulgou uma lei histórica que permite às autoridades canalizar criptomoedas apreendidas de organizações criminosas diretamente para iniciativas de segurança pública, marcando um avanço importante na repressão ao crime organizado.
Assinada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Lei nº 15.358 concede às forças de segurança poderes sem precedentes para congelar, bloquear e apreender ativos tradicionais e digitais, incluindo criptomoedas, durante investigações.
A legislação também permite o uso provisório de criptoativos apreendidos, com aprovação judicial, para financiar operações policiais, trabalhos de inteligência, treinamento de agentes e outros esforços de segurança pública — mesmo antes de condenações finais.
A lei tem como alvo específico organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares e milícias privadas, ampliando a definição de crimes e aumentando significativamente as penalidades por atos como controle de territórios, obstrução à polícia ou uso de aplicativos de mensagens criptografadas e ferramentas de privacidade para esconder atividades ilícitas.
As autoridades podem agora suspender o acesso a exchanges, carteiras digitais e plataformas online durante investigações, com restrições permanentes aplicadas após condenação.
A legislação também facilita a cooperação internacional para recuperação de ativos e compartilhamento de informações, visando rastrear e recuperar lucros ilícitos transfronteiriços.
A lei reforça ainda as medidas civis, permitindo que os tribunais apreendam bens, bloqueiem fundos e liquidezem ativos ligados a atividades criminosas.
Ela estabelece um banco de dados criminal nacional que integra as estruturas financeiras de grupos criminosos conhecidos, melhorando a coordenação entre polícia, promotores e judiciário.
Tentativa do Brasil de criar uma reserva de bitcoin
Em fevereiro de 2026, legisladores brasileiros reintroduziram um projeto de lei propondo a criação de uma Reserva Estratégica Soberana de Bitcoin (RESBit) para adquirir gradualmente um milhão de bitcoins ao longo de cinco anos.
O projeto, apresentado pelo Deputado Federal Luiz Gastão (PSD/CE), delineia um quadro abrangente para integrar o Bitcoin na estratégia financeira do país e diversificar as reservas nacionais.
A legislação proibiria a venda de bitcoins apreendidos pela Justiça, permitiria a arrecadação de impostos federais em Bitcoin e incentivaria empresas públicas a participar da mineração e armazenamento de Bitcoin.
A RESBit enfatizaria transparência e segurança, exigindo divulgação pública das participações e o uso de carteiras frias, carteiras multifirma e outros métodos reconhecidos de armazenamento.
Se aprovada, o Brasil se juntaria a um pequeno grupo de países com reservas nacionais de Bitcoin, seguindo exemplos como El Salvador e propostas nos Estados Unidos.
Além disso, a gigante francesa de utilidades Engie está considerando adicionar armazenamento de baterias ou centros de dados de mineração de bitcoin em sua recém-inaugurada usina solar Assu Sol de 895 MW no Brasil, para compensar perdas por curtailment e melhorar a economia do projeto, informa a Reuters.
Apesar de entrar em operação comercial total neste mês, a instalação no nordeste do Brasil já enfrentou restrições impostas pela rede elétrica que limitam a produção quando a oferta excede a demanda.