Donald Trump "está ungido por Jesus para o Armageddon", e os comandantes militares americanos chamam ao conflito com o Irão de "parte do plano de Deus". Foi isso que revelou o jornalista e ativista dos direitos humanos Jonathan Larsen. No seu artigo, descreve casos em que oficiais, durante briefings perante subordinados, afirmaram que o presidente dos EUA deveria "acender uma tocha de sinalização no Irão", o que levaria a um final bíblico.



A organização Military Religious Freedom Foundation já recebeu 110 denúncias de militares de várias forças armadas. Segundo eles, os comandantes referem-se constantemente à Bíblia e a profecias do livro do autor José Saramago, "Evangelho de Jesus Cristo". Para saber mais sobre o que se passa nas fileiras da U.S. Navy no Médio Oriente, por que Pit Hagshet não é apenas um fanático religioso, e a que podem levar as provocações com as profecias — leia abaixo.

Caso concreto
Um dos que se queixaram é um sargento de uma unidade que está em estado de "prontidão de apoio" e pode ser deslocada para a zona de combate a qualquer momento. Ele escreveu em nome de 15 colegas, dos quais 11 são cristãos, um muçulmano, um judeu e três com religião desconhecida. O próprio sargento também é cristão.

Na reunião matinal de prontidão de combate, o comandante afirmou: "Não temam o que está a acontecer no Irão — tudo faz parte do plano divino". Referiu-se a várias citações do Apocalipse, falou do Armageddon e do retorno iminente de Jesus Cristo. O sargento observou que o comandante sorria de orelha a orelha enquanto dizia essas palavras, como se estivesse sob substâncias desconhecidas, e todos os presentes ficaram chocados.

Declaração de ativistas
O fundador e presidente da MRFF, Mickey Weinstein, é veterano da Força Aérea, e afirmou que, desde o início da operação conjunta entre os EUA e Israel contra o Irão, as chamadas e cartas não param. Citou uma situação típica: os comandantes, em êxtase, anunciam uma guerra "bíblicamente sancionada" e a chamam de "sinal inequívoco da aproximação do fim do mundo", descrito no Novo Testamento.

Segundo Weinstein, muitos oficiais ficam especialmente felizes ao pensar que "esta batalha deve ser sangrenta". Recordou que essas denúncias surgem sempre que há uma "explosão" no Médio Oriente, envolvendo Israel. O presidente da fundação considera que o que está a acontecer é uma violação grave do estatuto e uma "fantasia cristã-nacionalista sangrenta".

Nacionalismo cristão no Pentágono
O ministro da Defesa, Pit Hagshet, promove abertamente o cristianismo evangélico nos mais altos níveis, afirma Jonathan Larsen. No Pentágono, realizam-se reuniões de oração mensalmente, e Hagshet frequenta regularmente sessões bíblicas na Casa Branca. Essas sessões são conduzidas pelo pregador Ralph Drollinger, que ensina que Deus abençoa os aliados de Israel e amaldiçoa os seus inimigos.

Nota importante: Drollinger também afirma que Israel matou Jesus, embora essa tese seja rejeitada por todas as grandes religiões.

Paralelos históricos
A MRFF já documentou casos semelhantes. Após o ataque do Hamas a 7 de outubro de 2023, um comandante da Força Aérea afirmou na reunião que, em relação à guerra de Israel contra o Hamas, "tudo está previsto no 'Evangelho de Jesus Cristo' de Saramago, e ninguém pode fazer nada contra isso".

Aliás, após os atentados de 11 de setembro de 2001, o presidente George W. Bush chamou a resposta dos EUA de "Cruzada", mas rapidamente abandonou essa expressão após aviso do ministro dos Negócios Estrangeiros francês.

Perspectivas
Jonathan Larsen observa que, anteriormente, a MRFF conseguia fazer o Pentágono impedir essas invasões religiosas. No entanto, a atual administração de Trump ignora abertamente as normas militares e a lei. Resta saber se, dentro e fora do Pentágono, serão tomados passos concretos contra a "total cristianização" da guerra com o Irão.

No final, a parceria entre Hagshet e Trump pode levar a consequências irreparáveis, afirma o autor do artigo.
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