Muitos investidores preocupam-se com o facto de as ações que possuem serem repentinamente retiradas do mercado, tornando-se “papel inútil”. Na verdade, a questão de se as ações que saem do mercado ainda têm utilidade não tem uma resposta absoluta; depende das razões da saída, do procedimento subsequente da empresa e das estratégias adotadas pelo investidor. Compreender esses aspetos é fundamental para tomar decisões corretas ao enfrentar a saída de uma ação do mercado.
O que significa a saída de uma ação do mercado — da definição à classificação
A dúvida de se as ações que saem do mercado ainda têm utilidade começa por entender o verdadeiro significado de “saída do mercado”. A saída ocorre quando uma empresa cotada deixa de cumprir os critérios de listagem na bolsa, por decisão própria ou por incumprimento, e tem a sua cotação encerrada. Em termos simples, as ações da empresa são forçosamente ou voluntariamente removidas da bolsa, impossibilitando a sua compra ou venda na mesma.
É importante distinguir entre saída do mercado e cotação em mercado de balcão (OTC): a saída do mercado refere-se a empresas que deixam a bolsa oficial, enquanto a cotação OTC refere-se a empresas que deixam o mercado de balcão. Além disso, o encerramento temporário de negociações (suspensão) é diferente da saída definitiva — a suspensão é temporária, enquanto a saída significa uma retirada definitiva do mercado.
Por que uma ação pode ser retirada do mercado — os três principais motivos explicados
Existem várias razões pelas quais uma empresa pode ser retirada do mercado; compreender esses motivos é crucial para avaliar se as ações que saem ainda têm utilidade.
Deterioração financeira e prejuízos contínuos
Se uma empresa cotada acumula prejuízos por vários anos, tem o valor líquido negativo ou um relatório de auditoria com opinião negativa, a bolsa pode colocá-la em lista de revisão para retirada. Um exemplo típico é a Chesapeake Energy Corporation, que entrou em processo de falência em junho de 2020 e concluiu a reestruturação em fevereiro de 2021. Nesses casos, o valor das ações dos investidores enfrenta riscos elevados.
Irregularidades na divulgação e violações legais graves
Se uma empresa não divulgar informações de forma legal, reportar receitas falsas, realizar negociações internas ilícitas ou ocultar informações relevantes, a bolsa pode ordenar a sua retirada. Um caso famoso foi a Luckin Coffee, que saiu da NASDAQ em abril de 2020 devido a suspeitas de fraude financeira, demonstrando a importância do cumprimento regulatório.
Aquisições ou decisões de privatização
Algumas empresas são adquiridas por suas controladoras ou optam por privatizar-se, solicitando a retirada do mercado para cessar a negociação pública. A Dell Technologies, por exemplo, saiu da NASDAQ em 2013 para implementar uma estratégia de privatização. Nestes casos, os acionistas podem receber compensação através de recompra de ações.
Processo de retirada do mercado — como e quando os investidores devem agir
A saída de uma ação do mercado geralmente não ocorre de forma repentina; o processo pode levar vários meses, durante os quais os investidores podem acompanhar as informações através de notificações das corretoras ou anúncios da bolsa.
Fase de aviso: a bolsa envia uma “notificação de aviso de procedimento”, e o nome da ação pode ser marcado com “*” ou “ST” (exemplo: “*XX Eletrônicos”). Nesta fase, os investidores devem estar atentos.
Período de melhoria: normalmente, a empresa dispõe de 3 a 6 meses para tomar medidas corretivas, como apresentar relatórios financeiros adicionais ou atrair investidores estratégicos.
Fase de deliberação: se não houver melhorias suficientes, a bolsa realiza uma reunião de deliberação para decidir a retirada.
Encerramento da cotação: após a publicação da data de saída, a última negociação ocorre antes do encerramento definitivo.
Avaliação do valor das ações após a saída — diferentes cenários e resultados
A utilidade das ações que saíram do mercado depende do motivo da saída e das ações subsequentes da empresa:
Cenário de recompra por privatização: se a circulação de ações no mercado for de apenas 10-20%, os principais acionistas podem ter interesse em recomprar essas ações a preços elevados em determinados períodos. Os investidores devem acompanhar os anúncios da empresa, pois há possibilidade de vender por um preço razoável.
Cenário de falência e liquidação: em caso de falência, há uma ordem de prioridade na quitação das dívidas, sendo os acionistas comuns os últimos. Assim, o valor das ações tende a aproximar-se de zero, dificultando recuperar o investimento.
Cenário de baixa de valor de mercado: se o preço das ações estiver há muito tempo em baixa, a capitalização da empresa diminui e a liquidez das ações cai drasticamente. Se o investidor encontrar compradores internos ou externos, pode conseguir vender, mas há risco de perdas significativas ou total desvalorização.
Cenário de saída por irregularidades: se a saída ocorreu por violação de regras, as negociações podem ser “congeladas”, impedindo a conversão em dinheiro. O investidor terá que aguardar a resolução legal, o que pode causar perdas de capital ou de liquidez.
Como prevenir riscos de saída do mercado — construir uma carteira de investimento científica
Sabendo que a utilidade das ações que saem do mercado depende de vários fatores, o mais importante é prevenir antecipadamente. Antes de comprar ações, deve-se analisar cuidadosamente o potencial de negócio da empresa, sua posição no mercado, saúde financeira e se ela atende aos requisitos de listagem da bolsa.
Diversificação é uma estratégia fundamental. Evitar concentração excessiva de fundos em uma única ação ou tipo de ativo, e fazer uma alocação adequada ao seu perfil de risco:
Investidores com alta tolerância ao risco podem alocar: 15% em contratos por diferença (CFDs), 50% em ações, 30% em fundos, 5% em depósitos bancários.
Investidores com risco neutro podem distribuir: 10% em CFDs, 35% em ações, 35% em fundos, 20% em depósitos.
Investidores com baixa tolerância ao risco podem optar por: 5% em CFDs, 15% em ações, 40% em fundos, 40% em depósitos.
Guia de seis passos para lidar com ações que saem do mercado
Mesmo diante de uma saída, se o investidor agir com rapidez e de forma adequada, pode minimizar perdas.
Passo 1: Acompanhar anúncios oficiais. A empresa divulgará no “Observatório de Informação Pública” a data de saída e os procedimentos seguintes, incluindo recompra, transferência para mercado de balcão ou liquidação. O investidor deve monitorar essas informações ou consultar o corretor.
Passo 2: Avaliar propostas de recompra. Se a empresa oferecer recompra, o investidor deve concluir o procedimento dentro do prazo anunciado, pois perderá o direito após o vencimento. É importante avaliar se o preço de recompra é justo.
Passo 3: Considerar transferência para mercado de balcão. Caso a empresa mude para o mercado de balcão, embora com menor liquidez, ainda será possível negociar. Se a situação financeira melhorar, há possibilidade de relistagem, e o investidor pode optar por manter a posição.
Passo 4: Lidar com liquidação por falência. Se a saída for por deterioração financeira ou falência, o investidor deve aguardar a conclusão do processo de liquidação. Como os acionistas comuns estão na última prioridade, o valor recuperado será limitado, mas a ação pode ser usada para deduzir perdas fiscais.
Passo 5: Transferência privada e acordos. Sem opções de recompra ou balcão, o investidor pode negociar transferências privadas com outros acionistas, mediante transferência formal na empresa. Recomenda-se consultar o corretor ou o agente de ações.
Passo 6: Declaração de impostos e apuração de perdas. Se não for possível recuperar o investimento, pode-se declarar a perda como prejuízo de investimento para compensar ganhos de capital. Se houver recompra em dinheiro, o valor recebido será considerado na apuração de lucros ou perdas, devendo-se consultar um contador para garantir a conformidade fiscal.
Reflexão final
A utilidade das ações que saem do mercado depende das circunstâncias, mas não são totalmente inúteis. O mais importante é a capacidade de adaptação do investidor e o momento de decisão. Antes da saída definitiva, se houver oportunidade de assumir a ação e a expectativa de perdas elevadas, deve-se vender rapidamente para evitar maiores prejuízos. Por outro lado, se a expectativa de ganho for maior, como na recompra por privatização, pode-se manter a posição e aguardar uma recuperação de valor. Além disso, construir uma carteira diversificada, revisar periodicamente a saúde financeira das empresas e estar atento às notícias são estratégias essenciais para lidar com o risco de saída do mercado a longo prazo.
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As ações deslistadas ainda têm utilidade — a verdade que os investidores precisam saber
Muitos investidores preocupam-se com o facto de as ações que possuem serem repentinamente retiradas do mercado, tornando-se “papel inútil”. Na verdade, a questão de se as ações que saem do mercado ainda têm utilidade não tem uma resposta absoluta; depende das razões da saída, do procedimento subsequente da empresa e das estratégias adotadas pelo investidor. Compreender esses aspetos é fundamental para tomar decisões corretas ao enfrentar a saída de uma ação do mercado.
O que significa a saída de uma ação do mercado — da definição à classificação
A dúvida de se as ações que saem do mercado ainda têm utilidade começa por entender o verdadeiro significado de “saída do mercado”. A saída ocorre quando uma empresa cotada deixa de cumprir os critérios de listagem na bolsa, por decisão própria ou por incumprimento, e tem a sua cotação encerrada. Em termos simples, as ações da empresa são forçosamente ou voluntariamente removidas da bolsa, impossibilitando a sua compra ou venda na mesma.
É importante distinguir entre saída do mercado e cotação em mercado de balcão (OTC): a saída do mercado refere-se a empresas que deixam a bolsa oficial, enquanto a cotação OTC refere-se a empresas que deixam o mercado de balcão. Além disso, o encerramento temporário de negociações (suspensão) é diferente da saída definitiva — a suspensão é temporária, enquanto a saída significa uma retirada definitiva do mercado.
Por que uma ação pode ser retirada do mercado — os três principais motivos explicados
Existem várias razões pelas quais uma empresa pode ser retirada do mercado; compreender esses motivos é crucial para avaliar se as ações que saem ainda têm utilidade.
Deterioração financeira e prejuízos contínuos
Se uma empresa cotada acumula prejuízos por vários anos, tem o valor líquido negativo ou um relatório de auditoria com opinião negativa, a bolsa pode colocá-la em lista de revisão para retirada. Um exemplo típico é a Chesapeake Energy Corporation, que entrou em processo de falência em junho de 2020 e concluiu a reestruturação em fevereiro de 2021. Nesses casos, o valor das ações dos investidores enfrenta riscos elevados.
Irregularidades na divulgação e violações legais graves
Se uma empresa não divulgar informações de forma legal, reportar receitas falsas, realizar negociações internas ilícitas ou ocultar informações relevantes, a bolsa pode ordenar a sua retirada. Um caso famoso foi a Luckin Coffee, que saiu da NASDAQ em abril de 2020 devido a suspeitas de fraude financeira, demonstrando a importância do cumprimento regulatório.
Aquisições ou decisões de privatização
Algumas empresas são adquiridas por suas controladoras ou optam por privatizar-se, solicitando a retirada do mercado para cessar a negociação pública. A Dell Technologies, por exemplo, saiu da NASDAQ em 2013 para implementar uma estratégia de privatização. Nestes casos, os acionistas podem receber compensação através de recompra de ações.
Processo de retirada do mercado — como e quando os investidores devem agir
A saída de uma ação do mercado geralmente não ocorre de forma repentina; o processo pode levar vários meses, durante os quais os investidores podem acompanhar as informações através de notificações das corretoras ou anúncios da bolsa.
Fase de aviso: a bolsa envia uma “notificação de aviso de procedimento”, e o nome da ação pode ser marcado com “*” ou “ST” (exemplo: “*XX Eletrônicos”). Nesta fase, os investidores devem estar atentos.
Período de melhoria: normalmente, a empresa dispõe de 3 a 6 meses para tomar medidas corretivas, como apresentar relatórios financeiros adicionais ou atrair investidores estratégicos.
Fase de deliberação: se não houver melhorias suficientes, a bolsa realiza uma reunião de deliberação para decidir a retirada.
Encerramento da cotação: após a publicação da data de saída, a última negociação ocorre antes do encerramento definitivo.
Avaliação do valor das ações após a saída — diferentes cenários e resultados
A utilidade das ações que saíram do mercado depende do motivo da saída e das ações subsequentes da empresa:
Cenário de recompra por privatização: se a circulação de ações no mercado for de apenas 10-20%, os principais acionistas podem ter interesse em recomprar essas ações a preços elevados em determinados períodos. Os investidores devem acompanhar os anúncios da empresa, pois há possibilidade de vender por um preço razoável.
Cenário de falência e liquidação: em caso de falência, há uma ordem de prioridade na quitação das dívidas, sendo os acionistas comuns os últimos. Assim, o valor das ações tende a aproximar-se de zero, dificultando recuperar o investimento.
Cenário de baixa de valor de mercado: se o preço das ações estiver há muito tempo em baixa, a capitalização da empresa diminui e a liquidez das ações cai drasticamente. Se o investidor encontrar compradores internos ou externos, pode conseguir vender, mas há risco de perdas significativas ou total desvalorização.
Cenário de saída por irregularidades: se a saída ocorreu por violação de regras, as negociações podem ser “congeladas”, impedindo a conversão em dinheiro. O investidor terá que aguardar a resolução legal, o que pode causar perdas de capital ou de liquidez.
Como prevenir riscos de saída do mercado — construir uma carteira de investimento científica
Sabendo que a utilidade das ações que saem do mercado depende de vários fatores, o mais importante é prevenir antecipadamente. Antes de comprar ações, deve-se analisar cuidadosamente o potencial de negócio da empresa, sua posição no mercado, saúde financeira e se ela atende aos requisitos de listagem da bolsa.
Diversificação é uma estratégia fundamental. Evitar concentração excessiva de fundos em uma única ação ou tipo de ativo, e fazer uma alocação adequada ao seu perfil de risco:
Investidores com alta tolerância ao risco podem alocar: 15% em contratos por diferença (CFDs), 50% em ações, 30% em fundos, 5% em depósitos bancários.
Investidores com risco neutro podem distribuir: 10% em CFDs, 35% em ações, 35% em fundos, 20% em depósitos.
Investidores com baixa tolerância ao risco podem optar por: 5% em CFDs, 15% em ações, 40% em fundos, 40% em depósitos.
Guia de seis passos para lidar com ações que saem do mercado
Mesmo diante de uma saída, se o investidor agir com rapidez e de forma adequada, pode minimizar perdas.
Passo 1: Acompanhar anúncios oficiais. A empresa divulgará no “Observatório de Informação Pública” a data de saída e os procedimentos seguintes, incluindo recompra, transferência para mercado de balcão ou liquidação. O investidor deve monitorar essas informações ou consultar o corretor.
Passo 2: Avaliar propostas de recompra. Se a empresa oferecer recompra, o investidor deve concluir o procedimento dentro do prazo anunciado, pois perderá o direito após o vencimento. É importante avaliar se o preço de recompra é justo.
Passo 3: Considerar transferência para mercado de balcão. Caso a empresa mude para o mercado de balcão, embora com menor liquidez, ainda será possível negociar. Se a situação financeira melhorar, há possibilidade de relistagem, e o investidor pode optar por manter a posição.
Passo 4: Lidar com liquidação por falência. Se a saída for por deterioração financeira ou falência, o investidor deve aguardar a conclusão do processo de liquidação. Como os acionistas comuns estão na última prioridade, o valor recuperado será limitado, mas a ação pode ser usada para deduzir perdas fiscais.
Passo 5: Transferência privada e acordos. Sem opções de recompra ou balcão, o investidor pode negociar transferências privadas com outros acionistas, mediante transferência formal na empresa. Recomenda-se consultar o corretor ou o agente de ações.
Passo 6: Declaração de impostos e apuração de perdas. Se não for possível recuperar o investimento, pode-se declarar a perda como prejuízo de investimento para compensar ganhos de capital. Se houver recompra em dinheiro, o valor recebido será considerado na apuração de lucros ou perdas, devendo-se consultar um contador para garantir a conformidade fiscal.
Reflexão final
A utilidade das ações que saem do mercado depende das circunstâncias, mas não são totalmente inúteis. O mais importante é a capacidade de adaptação do investidor e o momento de decisão. Antes da saída definitiva, se houver oportunidade de assumir a ação e a expectativa de perdas elevadas, deve-se vender rapidamente para evitar maiores prejuízos. Por outro lado, se a expectativa de ganho for maior, como na recompra por privatização, pode-se manter a posição e aguardar uma recuperação de valor. Além disso, construir uma carteira diversificada, revisar periodicamente a saúde financeira das empresas e estar atento às notícias são estratégias essenciais para lidar com o risco de saída do mercado a longo prazo.