Os preços globais do café enfrentam pressão devido ao aumento da oferta e às previsões meteorológicas

O mercado global de café enfrentou uma pressão significativa de baixa nas negociações recentes, com os preços do café a recuarem em ambas as principais variedades à medida que os traders reavaliavam o equilíbrio entre oferta e procura. Esta venda em massa reflete uma confluência de fatores baixistas, incluindo previsões de produção ampliadas, aumentos nos inventários e condições climáticas favoráveis às regiões de cultivo. Compreender essas dinâmicas de mercado oferece insights sobre a direção que os preços do café podem tomar nos próximos meses.

Venda em Massa no Mercado: Arabica e Robusta recuam com os últimos dados de negociação

Tanto os contratos futuros de café arabica quanto os de robusta sofreram quedas acentuadas durante as sessões recentes. Os contratos de março de arabica caíram 3,845%, encerrando com uma baixa de 13,25 pontos e atingindo uma mínima de 5,5 meses. Os contratos de março de robusta despencaram 1,58%, caindo 66 pontos para atingir uma mínima de 3,5 semanas. A fraqueza em ambas as variedades indica que os preços do café estão a experimentar uma pressão de venda generalizada, e não uma fraqueza isolada em um único segmento de mercado.

A retração nos preços do café reflete preocupações dos traders quanto à oferta global adequada, o que mudou o sentimento de mercado de otimista para cauteloso. Essa mudança é particularmente evidente nos preços da robusta, que se mostraram mais vulneráveis a aumentos de produção do maior produtor mundial de robusta.

O aumento do café no Vietname: um obstáculo importante para os preços da robusta

O aumento substancial nas exportações e na produção de café do Vietname está a exercer uma pressão negativa significativa sobre os preços da robusta. Segundo dados divulgados no início de janeiro, as exportações de café do Vietname em 2025 saltaram 17,5% em relação ao ano anterior, atingindo 1,58 milhões de toneladas métricas, demonstrando a crescente participação do país no mercado global.

Para 2025/26, a produção de café do Vietname está projetada para subir 6% em relação ao ano anterior, atingindo 1,76 milhões de toneladas métricas, ou aproximadamente 29,4 milhões de sacos — um máximo de quatro anos. Associações do setor indicaram que a produção pode aumentar até 10% em relação ao ano agrícola anterior, caso as condições climáticas permaneçam favoráveis. Esses aumentos de produção sugerem que os preços do café podem continuar a enfrentar pressões de baixa, especialmente para as variedades robusta, à medida que o fornecimento adicional do Vietname entra nos mercados globais.

Produção e clima no Brasil: influências concorrentes sobre os preços do café

O Brasil, maior produtor de arabica do mundo, apresenta um quadro misto para os preços do café. Por um lado, a agência de previsão de safra do Brasil aumentou sua estimativa de produção de café para 2025 em 2,4%, para 56,54 milhões de sacos, em dezembro, sugerindo estoques abundantes à frente. Por outro lado, os padrões de precipitação recentes estiveram abaixo da média histórica, o que pode sustentar preços mais altos ao limitar o potencial de produção de curto prazo.

Minas Gerais, região crucial para o cultivo de café no Brasil, recebeu apenas 33,9 mm de chuva na semana encerrada em meados de janeiro — apenas 53% da média histórica. Previsões indicam chuvas constantes nas próximas semanas, o que restauraria os níveis de umidade e potencialmente aliviaria as preocupações de oferta. Este cenário climático já impactou os preços do café, pois o mercado interpretou as perspectivas de chuva melhoradas como um fator bullish para a produção.

As exportações brasileiras de café também caíram acentuadamente nos últimos meses, com o total de café verde exportado caindo 18,4%, para 2,86 milhões de sacos. As exportações de arabica caíram 10% em relação ao ano anterior, enquanto as de robusta despencaram 61%, sugerindo que a oferta brasileira pode estar a se apertar, apesar da previsão de maior produção.

Dinâmica de estoques e inventários: outro fator que pressiona os preços do café

A recuperação dos estoques de café monitorados pelo ICE emergiu como um fator baixista adicional, pressionando os preços do café. Os estoques de arabica caíram para um mínimo de 1,75 anos, de 398.645 sacos em 20 de novembro, mas desde então recuperaram para um máximo de 2,5 meses, de 461.829 sacos, em meados de janeiro. De forma semelhante, os estoques de robusta atingiram um mínimo de 1 ano, de 4.012 lotes em dezembro, mas se recuperaram para um máximo de 1,75 meses, de 4.609 lotes, nas negociações recentes.

A recuperação dos estoques sugere que as pressões de oferta estão a diminuir, o que reduz a urgência entre os compradores e permite que os preços do café recuem dos níveis elevados recentes. Níveis mais altos de inventário geralmente indicam que as escassezes estão a ser resolvidas, removendo um mecanismo de suporte chave para os preços.

Previsões de produção global moldam a perspetiva dos preços do café

O Serviço de Agricultura Estrangeira do USDA projetou, em meados de dezembro, que a produção global de café para 2025/26 aumentará 2,0% em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de 178,848 milhões de sacos. No entanto, essa previsão agregada mascara mudanças significativas entre variedades: a produção de arabica deve diminuir 4,7%, para 95,515 milhões de sacos, enquanto a de robusta deve subir 10,9%, para 83,333 milhões de sacos.

Para os principais produtores, especificamente, a previsão de produção de café do Brasil para 2025/26 é de uma redução de 3,1% em relação ao ano anterior, para 63 milhões de sacos, potencialmente limitando a oferta do maior produtor mundial. Por outro lado, a produção do Vietname deve subir 6,2%, para 30,8 milhões de sacos, o maior em quatro anos. Essas tendências divergentes sugerem que, enquanto os preços da arabica podem estabilizar devido à oferta mais apertada do Brasil, os preços da robusta continuam sob pressão devido à expansão vietnamita.

O USDA também prevê que os estoques finais de 2025/26 cairão 5,4%, para 20,148 milhões de sacos, de 21,307 milhões de sacos em 2024/25, indicando um ligeiro aperto no equilíbrio de oferta global ao longo do ano de produção.

O que esperar para os preços do café

O ambiente atual apresenta sinais mistos para os preços do café no futuro. Por um lado, as previsões climáticas de aumento de precipitação no Brasil, a expansão da produção global e a recuperação dos estoques sugerem que os preços do café podem permanecer sob pressão a curto prazo. Por outro lado, a diminuição das exportações brasileiras, a oferta mais apertada de arabica e os níveis de inventário global, que permanecem modestos historicamente, podem eventualmente criar um piso para os preços do café caso as condições se deteriorarem.

Os traders que monitorizam os preços do café devem prestar atenção especial às condições climáticas no Brasil, aos relatórios semanais de inventário do ICE e aos dados mensais de exportação do Brasil e do Vietname — todos eles influenciarão se os preços do café encontrarão novo suporte ou continuarão a sua recente tendência de baixa.

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