A mudança regulatória abriu novas possibilidades de imaginação para todo o setor. Quando o governo de Trump retornou à Casa Branca, a atitude da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) sofreu uma mudança sutil, mas crucial. No mês de janeiro do ano passado, quando o ETF de Bitcoin à vista foi aprovado, a indústria considerou esse momento histórico, mas ninguém previa que, em apenas um ano, os ativos criptográficos seriam adotados pelos principais instituições financeiras com tamanha rapidez.
A história real por trás dos dados
Observando os fluxos de investimento, a narrativa torna-se mais clara. Segundo dados de acompanhamento da Farside Investors, até meados de dezembro de 2025, desde o lançamento em janeiro de 2024, o fluxo líquido acumulado de fundos para o ETF de Bitcoin à vista atingiu US$ 57,7 bilhões. Para se ter uma ideia, no início do ano esse número era de apenas US$ 36,2 bilhões, crescendo 59% em apenas 11 meses. Isso não é apenas um aumento numérico, mas representa uma mudança na mentalidade do mercado — de ceticismo para aceitação.
Porém, exemplos históricos mostram que os fluxos de capital nunca seguem uma linha reta. Quando o Bitcoin se aproximou de sua máxima histórica de US$ 126.000 em 6 de outubro, o fluxo líquido diário atingiu US$ 1,2 bilhão, com investidores se lançando em massa. Apenas um mês depois, quando o preço caiu abaixo de US$ 90.000, a situação se reverteu, e US$ 900 milhões foram resgatados em poucas semanas.
O Ethereum, por sua vez, seguiu seu próprio ritmo. Desde o lançamento em julho do ano passado até meados de dezembro deste ano, o fluxo líquido acumulado do ETF de Ethereum à vista foi de US$ 12,6 bilhões. Em agosto, quando o Ethereum se aproximou de sua máxima histórica de US$ 4950, o fluxo diário chegou a US$ 1 bilhão — suficiente para demonstrar a confiança das instituições na segunda maior criptomoeda.
Reescrevendo as regras do jogo regulatório
O ponto de inflexão ocorreu em setembro deste ano. A SEC lançou padrões gerais para a listagem de fundos de confiança de commodities, uma decisão aparentemente técnica, mas que na verdade representa uma revolução completa no modelo de “aprovação caso a caso” que prevalecia até então.
Os novos critérios determinam que os ativos digitais a serem incluídos em ETFs precisam atender a três condições principais: serem negociados em mercados regulados, possuírem pelo menos 6 meses de histórico de negociação de futuros, ou já terem outros ETFs de grande porte que rastreiem esses ativos. O que isso significa? Segundo o analista da Bloomberg, Eric Balchunas, mais de 12 criptomoedas já atingiram esse limite de listagem.
Mais importante ainda, isso abriu as portas para futuras aprovações. Atualmente, a SEC tem mais de 126 pedidos de ETFs na sua mesa, a maioria focada em projetos DeFi emergentes (como Hyperliquid) e várias novas moedas. A estrutura regulatória passou de um modelo “todo-poderoso” para um que “cria regras para o mercado se autorregular” — uma mudança de paradigma.
XRP e Solana conquistam seu espaço
Antes perseguidos por regulações durante o governo Biden, XRP e Solana tornaram-se as estrelas mais brilhantes entre os ativos emergentes. Essas duas moedas ocupam, respectivamente, a 5ª e a 7ª posições em valor de mercado, e finalmente conquistaram seus próprios ETFs de Bitcoin à vista.
Os dados de fluxo de entrada falam por si. Segundo o CoinGlass, desde o lançamento em novembro, o ETF de Solana recebeu US$ 92 milhões em fluxo líquido, embora pareça pequeno frente a gigantes como o Bitcoin, é um começo forte. Já o ETF de XRP atraiu US$ 883 milhões em fluxo líquido desde sua estreia — um número bastante expressivo para um ativo recém-lançado.
O estrategista sênior da Bitwise, Juan Leon, comentou que, embora esses ETFs menores possam não gerar uma explosão de preços como o Bitcoin, o próprio interesse do mercado já é um sinal — investidores estão cada vez mais interessados em criptomoedas além de Bitcoin e Ethereum. Ainda mais interessante, o ETF de Solana foi um dos primeiros a compartilhar os rendimentos do staking com os investidores, uma inovação confirmada recentemente pelo Departamento do Tesouro dos EUA e pelo IRS em novas diretrizes.
Entradas silenciosas de players institucionais
Se as duas primeiras ondas foram impulsionadas por investidores de varejo, a mudança atual ocorre no nível institucional. A Vanguard anunciou recentemente que permitirá a seus 50 milhões de clientes negociarem alguns ETFs de criptomoedas à vista em suas plataformas de corretagem. Antes disso, o Bank of America também aprovou discretamente uma solução de alocação limitada de ativos digitais para clientes de alta renda.
Gerry O’Shea, chefe de insights de mercado global da Hashdex, ilustrou essa mudança com uma comparação: “Há um ano, as instituições ainda faziam diligência, com muita incerteza regulatória. Agora, a questão não é mais ‘devo investir?’, mas ‘como investir?’”.
Essa transformação criou uma nova categoria de produtos — ETFs de índices de ativos digitais. Diferentemente de fundos que rastreiam um único ativo, esses fundos oferecem uma exposição mais ampla. O Nasdaq Crypto Index ETF, lançado pela Hashdex em fevereiro deste ano, inclui 19 ativos digitais como Cardano, Chainlink e Stellar, e posteriormente, Franklin Templeton, Grayscale, Bitwise, 21Shares e CoinShares lançaram produtos similares.
O significado profundo da alocação institucional
O que mais revela essa mudança são os exemplos de divulgações públicas. A Al Warda Investments, ligada ao Abu Dhabi Investment Authority, revelou uma posição de US$ 500 milhões em ETF de Bitcoin à vista da BlackRock. O fundo de doações de Harvard divulgou uma posição de US$ 433 milhões, enquanto a Universidade de Brown e a Universidade de Emory também entraram na lista de investidores institucionais neste ano.
Essas são mudanças de simbolismo. Quando os maiores fundos universitários dos EUA e fundos soberanos começam a divulgar suas posições em criptomoedas em relatórios trimestrais 13F, isso indica que o investimento deixou de ser tabu ou fronteira, tornando-se uma alocação normal.
O’Shea da Hashdex afirmou que essa migração do varejo para o institucional pode ter uma consequência importante: “Uma participação institucional com ciclos de investimento mais longos deve reduzir a volatilidade do Bitcoin e desacelerar as correções. Isso é benéfico para a sustentabilidade de longo prazo do ativo.”
Perspectivas: a chegada da era dos Index ETFs?
Para 2025, os analistas acreditam que os ETFs de índices de criptomoedas se tornarão o próximo grande destaque. Muitos investidores profissionais valorizam a capacidade desses produtos de ajustar dinamicamente suas posições ao longo do tempo, permitindo que obtenham potencial de crescimento de mercado com uma única ferramenta, sem precisar entender profundamente cada ativo.
De certa forma, isso remete à trajetória de desenvolvimento do mercado de ações e títulos. Quando os fundos de índice surgiram na década de 1970, também foram considerados por especialistas como uma “ferramenta para investidores preguiçosos”, mas hoje representam a espinha dorsal da alocação de capital global. Os ativos digitais podem seguir uma trajetória semelhante, evoluindo de uma era de foco intenso em moedas específicas para uma economia dominada por indexação e investimentos passivos.
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Análise do mercado de ETFs de criptomoedas em 2025: entrada de instituições muda as regras do jogo, visão geral do Bitcoin ao Solana
A mudança regulatória abriu novas possibilidades de imaginação para todo o setor. Quando o governo de Trump retornou à Casa Branca, a atitude da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) sofreu uma mudança sutil, mas crucial. No mês de janeiro do ano passado, quando o ETF de Bitcoin à vista foi aprovado, a indústria considerou esse momento histórico, mas ninguém previa que, em apenas um ano, os ativos criptográficos seriam adotados pelos principais instituições financeiras com tamanha rapidez.
A história real por trás dos dados
Observando os fluxos de investimento, a narrativa torna-se mais clara. Segundo dados de acompanhamento da Farside Investors, até meados de dezembro de 2025, desde o lançamento em janeiro de 2024, o fluxo líquido acumulado de fundos para o ETF de Bitcoin à vista atingiu US$ 57,7 bilhões. Para se ter uma ideia, no início do ano esse número era de apenas US$ 36,2 bilhões, crescendo 59% em apenas 11 meses. Isso não é apenas um aumento numérico, mas representa uma mudança na mentalidade do mercado — de ceticismo para aceitação.
Porém, exemplos históricos mostram que os fluxos de capital nunca seguem uma linha reta. Quando o Bitcoin se aproximou de sua máxima histórica de US$ 126.000 em 6 de outubro, o fluxo líquido diário atingiu US$ 1,2 bilhão, com investidores se lançando em massa. Apenas um mês depois, quando o preço caiu abaixo de US$ 90.000, a situação se reverteu, e US$ 900 milhões foram resgatados em poucas semanas.
O Ethereum, por sua vez, seguiu seu próprio ritmo. Desde o lançamento em julho do ano passado até meados de dezembro deste ano, o fluxo líquido acumulado do ETF de Ethereum à vista foi de US$ 12,6 bilhões. Em agosto, quando o Ethereum se aproximou de sua máxima histórica de US$ 4950, o fluxo diário chegou a US$ 1 bilhão — suficiente para demonstrar a confiança das instituições na segunda maior criptomoeda.
Reescrevendo as regras do jogo regulatório
O ponto de inflexão ocorreu em setembro deste ano. A SEC lançou padrões gerais para a listagem de fundos de confiança de commodities, uma decisão aparentemente técnica, mas que na verdade representa uma revolução completa no modelo de “aprovação caso a caso” que prevalecia até então.
Os novos critérios determinam que os ativos digitais a serem incluídos em ETFs precisam atender a três condições principais: serem negociados em mercados regulados, possuírem pelo menos 6 meses de histórico de negociação de futuros, ou já terem outros ETFs de grande porte que rastreiem esses ativos. O que isso significa? Segundo o analista da Bloomberg, Eric Balchunas, mais de 12 criptomoedas já atingiram esse limite de listagem.
Mais importante ainda, isso abriu as portas para futuras aprovações. Atualmente, a SEC tem mais de 126 pedidos de ETFs na sua mesa, a maioria focada em projetos DeFi emergentes (como Hyperliquid) e várias novas moedas. A estrutura regulatória passou de um modelo “todo-poderoso” para um que “cria regras para o mercado se autorregular” — uma mudança de paradigma.
XRP e Solana conquistam seu espaço
Antes perseguidos por regulações durante o governo Biden, XRP e Solana tornaram-se as estrelas mais brilhantes entre os ativos emergentes. Essas duas moedas ocupam, respectivamente, a 5ª e a 7ª posições em valor de mercado, e finalmente conquistaram seus próprios ETFs de Bitcoin à vista.
Os dados de fluxo de entrada falam por si. Segundo o CoinGlass, desde o lançamento em novembro, o ETF de Solana recebeu US$ 92 milhões em fluxo líquido, embora pareça pequeno frente a gigantes como o Bitcoin, é um começo forte. Já o ETF de XRP atraiu US$ 883 milhões em fluxo líquido desde sua estreia — um número bastante expressivo para um ativo recém-lançado.
O estrategista sênior da Bitwise, Juan Leon, comentou que, embora esses ETFs menores possam não gerar uma explosão de preços como o Bitcoin, o próprio interesse do mercado já é um sinal — investidores estão cada vez mais interessados em criptomoedas além de Bitcoin e Ethereum. Ainda mais interessante, o ETF de Solana foi um dos primeiros a compartilhar os rendimentos do staking com os investidores, uma inovação confirmada recentemente pelo Departamento do Tesouro dos EUA e pelo IRS em novas diretrizes.
Entradas silenciosas de players institucionais
Se as duas primeiras ondas foram impulsionadas por investidores de varejo, a mudança atual ocorre no nível institucional. A Vanguard anunciou recentemente que permitirá a seus 50 milhões de clientes negociarem alguns ETFs de criptomoedas à vista em suas plataformas de corretagem. Antes disso, o Bank of America também aprovou discretamente uma solução de alocação limitada de ativos digitais para clientes de alta renda.
Gerry O’Shea, chefe de insights de mercado global da Hashdex, ilustrou essa mudança com uma comparação: “Há um ano, as instituições ainda faziam diligência, com muita incerteza regulatória. Agora, a questão não é mais ‘devo investir?’, mas ‘como investir?’”.
Essa transformação criou uma nova categoria de produtos — ETFs de índices de ativos digitais. Diferentemente de fundos que rastreiam um único ativo, esses fundos oferecem uma exposição mais ampla. O Nasdaq Crypto Index ETF, lançado pela Hashdex em fevereiro deste ano, inclui 19 ativos digitais como Cardano, Chainlink e Stellar, e posteriormente, Franklin Templeton, Grayscale, Bitwise, 21Shares e CoinShares lançaram produtos similares.
O significado profundo da alocação institucional
O que mais revela essa mudança são os exemplos de divulgações públicas. A Al Warda Investments, ligada ao Abu Dhabi Investment Authority, revelou uma posição de US$ 500 milhões em ETF de Bitcoin à vista da BlackRock. O fundo de doações de Harvard divulgou uma posição de US$ 433 milhões, enquanto a Universidade de Brown e a Universidade de Emory também entraram na lista de investidores institucionais neste ano.
Essas são mudanças de simbolismo. Quando os maiores fundos universitários dos EUA e fundos soberanos começam a divulgar suas posições em criptomoedas em relatórios trimestrais 13F, isso indica que o investimento deixou de ser tabu ou fronteira, tornando-se uma alocação normal.
O’Shea da Hashdex afirmou que essa migração do varejo para o institucional pode ter uma consequência importante: “Uma participação institucional com ciclos de investimento mais longos deve reduzir a volatilidade do Bitcoin e desacelerar as correções. Isso é benéfico para a sustentabilidade de longo prazo do ativo.”
Perspectivas: a chegada da era dos Index ETFs?
Para 2025, os analistas acreditam que os ETFs de índices de criptomoedas se tornarão o próximo grande destaque. Muitos investidores profissionais valorizam a capacidade desses produtos de ajustar dinamicamente suas posições ao longo do tempo, permitindo que obtenham potencial de crescimento de mercado com uma única ferramenta, sem precisar entender profundamente cada ativo.
De certa forma, isso remete à trajetória de desenvolvimento do mercado de ações e títulos. Quando os fundos de índice surgiram na década de 1970, também foram considerados por especialistas como uma “ferramenta para investidores preguiçosos”, mas hoje representam a espinha dorsal da alocação de capital global. Os ativos digitais podem seguir uma trajetória semelhante, evoluindo de uma era de foco intenso em moedas específicas para uma economia dominada por indexação e investimentos passivos.