3 de janeiro de 2026, o Bitcoin celebrou o seu 17º aniversário.
Esta data carrega consigo muitas coisas. Há dezessete anos, Satoshi Nakamoto registou na blockchain do bloco génese a manchete do The Times daquele dia, uma resposta fria ao sistema financeiro existente. Na altura, o Bitcoin era ainda uma crença de geeks, um experimento de rebeldes. Mas agora? Abrir qualquer relatório de pesquisa de Wall Street mostra que o Bitcoin é padrão. Os governos de vários países consideram-no uma opção de reserva estratégica. Quer te importes ou não, o número mais volátil na tua carteira de investimentos provavelmente é ele.
**O que aconteceu em 2025**
No último ano, o Bitcoin acompanhou todos os participantes numa cerimónia de crescimento — basicamente, uma grande oscilação.
Desde o primeiro semestre até ao outono, o mercado seguiu uma trajetória de nível de livro-texto. A capitalização total do Bitcoin chegou a ultrapassar os 4 biliões de dólares, atingindo em outubro um máximo histórico de 126.000 dólares. Por trás desta subida, já não estavam apenas investidores de varejo a seguir a tendência, mas sim capital institucional a entrar continuamente. A expectativa de que os EUA possam criar uma reserva estratégica de Bitcoin, a quebra do limite de gestão de ETFs à vista de mil milhões de dólares — coisas que há alguns anos pareciam ficção, agora tornaram-se realidade.
Mas a "crescimento" também tem o seu preço. Após outubro, o tom da história mudou. No quarto trimestre, o mercado virou abruptamente, com o Bitcoin caindo quase 30% do pico, e no final do ano estabilizou-se perto de 89.000 dólares. Esta queda abrupta pareceu repentina, mas na verdade tinha lógica — um mercado com demasiado alavancagem, ao surgir a expectativa de um aperto na liquidez macroeconómica, começou imediatamente a auto-liquidar-se. Isto também revelou cruelmente uma verdade de uma nova era: o Bitcoin deixou de ser um ativo independente, está agora profundamente ligado ao sistema financeiro global, podendo despencar por uma declaração hawkish do Federal Reserve ou ser arrastado por movimentos anormais nas ações dos EUA.
**A dualidade da era institucional**
O maior significado de 2025 para o Bitcoin não está na nova máxima, mas na mudança qualitativa dos participantes. De um mercado impulsionado por investidores de varejo para um dominado por instituições, isto é uma mudança de paradigma. A entrada de ETFs à vista é a prova mais direta — o que significa uma gestão de ativos superior a mil milhões de dólares? Significa que o Bitcoin já foi integrado no quadro de alocação de ativos tradicional, e gestores de fundos, fundos de pensões, escritórios familiares, esses grandes jogadores, agora consideram-no uma componente padrão.
Parece uma boa notícia. De fato, a entrada de capital institucional trouxe liquidez e estabilidade ao mercado. Mas e o lado negativo? As instituições têm as suas próprias regras de jogo. Quando o Federal Reserve muda de postura ou as ações dos EUA apresentam volatilidade, esses fundos não hesitam em vender Bitcoin para gerir riscos. Eles buscam retorno, não fé. É por isso que o Bitcoin agora pode sofrer grandes recuos devido a fatores macroeconómicos — tornou-se um ativo de risco, deixando de ser uma reserva de valor independente.
**Do credo ao ativo: o preço da mudança**
Se acompanharmos a evolução do Bitcoin desde o início, esta transformação é bastante irónica. No começo, o Bitcoin representava uma negação total do sistema financeiro antigo. Agora, foi integrado nesse sistema, tornando-se uma opção de investimento na Wall Street. Não é uma traição, mas uma espécie de compromisso — ou, dito de outra forma, uma direção escolhida pelo mercado.
A consequência direta da era institucional é que a volatilidade do Bitcoin tornou-se mais "racional", mais previsível, e mais suscetível à manipulação por jogadores com grande capital. A nova máxima de outubro e a subsequente queda refletem essencialmente esses grandes fundos ajustando posições de acordo com o ambiente macroeconómico. Para investidores individuais, isto significa que a lógica simplista de "só manter a longo prazo e ganharás" já não se aplica tanto.
**O que esperar em 2026**
A questão agora é: e a seguir?
A implementação da reserva estratégica de Bitcoin pelos EUA, a expansão contínua dos ETFs à vista, possíveis políticas de outros países — tudo isso pode impulsionar o mercado. Mas, ao mesmo tempo, a incerteza em relação à liquidez macro, à geopolítica e às políticas do Federal Reserve também aumenta. O Bitcoin nunca mais voltará ao seu tempo relativamente independente; agora faz parte do ecossistema de ativos de risco global, pulsando ao ritmo de todo o sistema.
Manter Bitcoin exige uma nova mentalidade: não basta olhar só para os aspetos técnicos e a fé, é preciso acompanhar o ambiente macroeconómico, os movimentos das instituições e as expectativas políticas. Este é o preço do crescimento, e uma condição para integrar-se no sistema financeiro mainstream.
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ReverseFOMOguy
· 01-04 15:13
17 anos de aniversário? Haha, eu acho que, na verdade, já não pertence mais ao nosso grupo de fiéis, foi destruído pela Wall Street
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BlockBargainHunter
· 01-04 03:39
De rebelião a domesticado, o 17º aniversário do Bitcoin é um pouco irónico... Agora, a Wall Street joga com ele como se fosse uma ação.
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LostBetweenChains
· 01-03 05:47
Mais um ano passou, de 126k para 89k, essa queda parece bastante dolorosa... Mas, para ser honesto, depois de os institucionais entrarem, já devia estar preparado psicologicamente, não há mais como voltar àquela era de "hodl e ganha"
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ImpermanentTherapist
· 01-03 05:43
De coba dos rebeldes a padrão na Wall Street, que ironia incrível
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zkProofInThePudding
· 01-03 05:42
De coba dos rebeldes a ficha de Wall Street, irónico mas verdadeiro
3 de janeiro de 2026, o Bitcoin celebrou o seu 17º aniversário.
Esta data carrega consigo muitas coisas. Há dezessete anos, Satoshi Nakamoto registou na blockchain do bloco génese a manchete do The Times daquele dia, uma resposta fria ao sistema financeiro existente. Na altura, o Bitcoin era ainda uma crença de geeks, um experimento de rebeldes. Mas agora? Abrir qualquer relatório de pesquisa de Wall Street mostra que o Bitcoin é padrão. Os governos de vários países consideram-no uma opção de reserva estratégica. Quer te importes ou não, o número mais volátil na tua carteira de investimentos provavelmente é ele.
**O que aconteceu em 2025**
No último ano, o Bitcoin acompanhou todos os participantes numa cerimónia de crescimento — basicamente, uma grande oscilação.
Desde o primeiro semestre até ao outono, o mercado seguiu uma trajetória de nível de livro-texto. A capitalização total do Bitcoin chegou a ultrapassar os 4 biliões de dólares, atingindo em outubro um máximo histórico de 126.000 dólares. Por trás desta subida, já não estavam apenas investidores de varejo a seguir a tendência, mas sim capital institucional a entrar continuamente. A expectativa de que os EUA possam criar uma reserva estratégica de Bitcoin, a quebra do limite de gestão de ETFs à vista de mil milhões de dólares — coisas que há alguns anos pareciam ficção, agora tornaram-se realidade.
Mas a "crescimento" também tem o seu preço. Após outubro, o tom da história mudou. No quarto trimestre, o mercado virou abruptamente, com o Bitcoin caindo quase 30% do pico, e no final do ano estabilizou-se perto de 89.000 dólares. Esta queda abrupta pareceu repentina, mas na verdade tinha lógica — um mercado com demasiado alavancagem, ao surgir a expectativa de um aperto na liquidez macroeconómica, começou imediatamente a auto-liquidar-se. Isto também revelou cruelmente uma verdade de uma nova era: o Bitcoin deixou de ser um ativo independente, está agora profundamente ligado ao sistema financeiro global, podendo despencar por uma declaração hawkish do Federal Reserve ou ser arrastado por movimentos anormais nas ações dos EUA.
**A dualidade da era institucional**
O maior significado de 2025 para o Bitcoin não está na nova máxima, mas na mudança qualitativa dos participantes. De um mercado impulsionado por investidores de varejo para um dominado por instituições, isto é uma mudança de paradigma. A entrada de ETFs à vista é a prova mais direta — o que significa uma gestão de ativos superior a mil milhões de dólares? Significa que o Bitcoin já foi integrado no quadro de alocação de ativos tradicional, e gestores de fundos, fundos de pensões, escritórios familiares, esses grandes jogadores, agora consideram-no uma componente padrão.
Parece uma boa notícia. De fato, a entrada de capital institucional trouxe liquidez e estabilidade ao mercado. Mas e o lado negativo? As instituições têm as suas próprias regras de jogo. Quando o Federal Reserve muda de postura ou as ações dos EUA apresentam volatilidade, esses fundos não hesitam em vender Bitcoin para gerir riscos. Eles buscam retorno, não fé. É por isso que o Bitcoin agora pode sofrer grandes recuos devido a fatores macroeconómicos — tornou-se um ativo de risco, deixando de ser uma reserva de valor independente.
**Do credo ao ativo: o preço da mudança**
Se acompanharmos a evolução do Bitcoin desde o início, esta transformação é bastante irónica. No começo, o Bitcoin representava uma negação total do sistema financeiro antigo. Agora, foi integrado nesse sistema, tornando-se uma opção de investimento na Wall Street. Não é uma traição, mas uma espécie de compromisso — ou, dito de outra forma, uma direção escolhida pelo mercado.
A consequência direta da era institucional é que a volatilidade do Bitcoin tornou-se mais "racional", mais previsível, e mais suscetível à manipulação por jogadores com grande capital. A nova máxima de outubro e a subsequente queda refletem essencialmente esses grandes fundos ajustando posições de acordo com o ambiente macroeconómico. Para investidores individuais, isto significa que a lógica simplista de "só manter a longo prazo e ganharás" já não se aplica tanto.
**O que esperar em 2026**
A questão agora é: e a seguir?
A implementação da reserva estratégica de Bitcoin pelos EUA, a expansão contínua dos ETFs à vista, possíveis políticas de outros países — tudo isso pode impulsionar o mercado. Mas, ao mesmo tempo, a incerteza em relação à liquidez macro, à geopolítica e às políticas do Federal Reserve também aumenta. O Bitcoin nunca mais voltará ao seu tempo relativamente independente; agora faz parte do ecossistema de ativos de risco global, pulsando ao ritmo de todo o sistema.
Manter Bitcoin exige uma nova mentalidade: não basta olhar só para os aspetos técnicos e a fé, é preciso acompanhar o ambiente macroeconómico, os movimentos das instituições e as expectativas políticas. Este é o preço do crescimento, e uma condição para integrar-se no sistema financeiro mainstream.