Lembre-se de como há um ano estourou o escândalo com os arquivos desclassificados de Epstein? Na altura, acompanhei essa história, e honestamente, ela revelou-se muito mais interessante do que parecia à primeira vista. O Departamento de Justiça dos EUA disponibilizou documentos que ligavam essa pessoa à indústria de criptomoedas. Naturalmente, a internet explodiu com especulações.



O mais curioso nesses arquivos de Epstein é o seu investimento na Blockstream. Não se trata apenas de uma empresa aleatória, mas de uma das principais organizações de infraestrutura para o desenvolvimento do Bitcoin. Através do seu fundo de investimento, ele investiu meio milhão de dólares na fase inicial de financiamento. Parece sério, mas há um detalhe importante.

Depois de analisar os documentos, ficou claro que Epstein era mais um observador curioso do que alguém que tomava decisões. Sim, ele teve encontros com Adam Beck e Austin Hill, sim, discutiu concorrentes como Ripple e Stellar como potenciais ameaças ao ecossistema. Mas eram apenas conversas de investimento.

O que realmente surpreendeu foi a sua correspondência com Peter Thiel em 2014 sobre a natureza do Bitcoin. Na altura, o mundo ainda não entendia se era dinheiro, propriedade ou algo mais. E ele já discutia as bases filosóficas desse ativo. Mais tarde, em 2016, tentou até propor às autoridades sauditas a criação de uma "moeda sharia", lastreada em Bitcoin. Ambicioso, mas não deu certo.

Nos arquivos de Epstein também surgiram outros nomes conhecidos. Michael Saylor, atual CEO da MicroStrategy, doou 25 mil dólares para um evento em 2010. Kevin Worrsh, que mais tarde Trump indicou para a presidência do Fed, também aparece na lista de convidados.

Mas o mais importante é que todas essas revelações bombásticas devem ser encaradas com cabeça fria. As pessoas começaram a especular: será que ele criou o Bitcoin? Será que é Satoshi Nakamoto? Não. De jeito nenhum. Nos documentos não há nenhuma prova de envolvimento dele na criação do protocolo. Além disso, em 2017, quando o preço do Bitcoin começou a disparar, ele afirmou categoricamente "não" àqueles que perguntavam se deveria comprá-lo.

O mais interessante nesta história é aquilo que os arquivos de Epstein simplesmente não revelaram. Nenhuma carteira de criptomoedas relacionada às suas atividades. Nenhuma transação que indicasse uso de criptomoedas em seus esquemas. Ou seja, ele era apenas um investidor que queria entender o futuro do dinheiro, cercado pelas mentes mais inteligentes da indústria.

Resta a questão em aberto que ainda preocupa a comunidade cripto: será que algum dia irão encontrar suas carteiras? Ou surgirão novas provas de uso de criptomoedas? Por ora, os arquivos de Epstein guardam esse segredo.
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