No dia em que levei a minha antiga empresa a tribunal, o RH interceptou-me no corredor e disse uma frase:


Sabes quantas pessoas há no nosso departamento jurídico?
Respondi doze.
Ela disse que não, eram treze.
O décimo terceiro era o teu ex-marido.
O meu ex-marido é o diretor jurídico daquela empresa.
Quando nos divorciámos, ele não contestou a divisão de bens, só contestou uma coisa — o acordo de não concorrência que assinei.
Ele disse que esse acordo permanecia válido durante dois anos após a minha saída, e que, se eu fosse trabalhar para uma empresa concorrente, ele pagaria a multa por incumprimento.
Eu disse que já tínhamos divorciado.
Ele respondeu que a lei não considera isso.
Depois, ele realmente processou-me.
Não foi a empresa a processar, foi ele pessoalmente.
Levou-me a tribunal, alegando que violara o acordo de não concorrência, e pediu uma compensação.
Estava na bancada de réus, a olhar para ele vestido com aquele fato que lhe comprei, usando as leis que lhe ensinei a interpretar, a dizer-me:
Estás a assinar este acordo enquanto o nosso casamento ainda durava, e o acordo ainda está em vigor.
Respondi-lhe que, quando nos divorciámos, ele disse que, além das crianças, não queria mais nada.
Ele confirmou.
Disse que aquele acordo não era nada, era tu.
O tribunal deu-me ganho de causa.
O juiz afirmou que o acordo de não concorrência não caduca com o divórcio.
Paguei-lhe uma quantia, não muito, suficiente para pagar a hipoteca.
No dia em que saí do tribunal, ele estava nos degraus, a olhar para mim, e disse uma frase que ainda lembro:
A primeira lição que me ensinaste foi que contratos não reconhecem sentimentos.
Não olhei para trás.
Depois, fiz uma cópia do recibo dessa compensação e enviei à mãe dele.
Juntei um bilhete:
A primeira lição que lhe ensinaste foi que um homem deve ter responsabilidade.
Agora, parece que ensinei bem, e tu não ensinas nada.
A mãe dele respondeu-me com duas palavras:
Desculpa.
Não respondi mais.
No mês passado, ele, na reunião anual do escritório de advogados, bebeu demais e contou aos colegas que o maior medo da vida dele não era perder o processo, mas a ex-mulher a olhá-lo no tribunal, com o mesmo olhar de quando lhe ensinou as leis.
Um colega perguntou-lhe:
E agora?
Ele respondeu:
Ela já não me ensina mais, trabalha ao lado, num escritório de advogados mais prestigiado do que o meu.
Depois, bebeu o resto do vinho, e, na nota de memória, encontrou uma foto de uma nota antiga, com o meu manuscrito de uma queixa:
Este caso não devia ser só dela a tratar.
As lágrimas dela já estavam na arbitragem há muito tempo, e agora só as trouxe de volta.
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