Eu conheço uma vendedora de uma loja de produtos de luxo, trabalha lá há oito anos.


Ela me disse uma frase que ainda lembro até hoje: aqueles clientes que entram com um café na mão, te olham de cima a baixo, são na verdade os mais fáceis de atender.
Porque o senso de superioridade deles precisa ser visto por você.
Você só precisa se inclinar levemente, colocar a bolsa no balcão para que eles possam pegar com as próprias mãos, e eles vão achar que isso é o que merecem.
Mas, depois que as vendedoras fecham a porta, conversam totalmente diferente.
Quem usa um casaco de milhares de reais é falso, quem usa um relógio sem ajustar a data, quem acabou de passar o cartão com suor na testa.
Esses clientes que ganham várias vezes mais do que elas, na visão delas, na verdade são invisíveis.
O mais surpreendente é que a vendedora mais arrogante da loja ganha cinco mil reais por mês, dirige um Audi, comprou duas casas na cidade natal.
Mas ela sempre usa um terno preto desbotado, fica na cabine mais isolada, não disputa clientes, não diz “bem-vindo”.
Todo mundo pensa que ela é veterana, que é preguiçosa para atender.
Até que um dia, um grande cliente trouxe um amigo rico para fazer compras, e o cara ficou abanando o ventilador com a Huawei dobrável na mão, reclamando de tudo.
No final, bateu no balcão e pediu para ela tirar todas as bolsas de crocodilo.
Ela não tirou nenhuma, apenas disse: “Qual você quer ver? Eu posso reservar para você.”
Aí o cara jogou o celular no chão e disse que ia fazer uma reclamação.
Depois, alguém perguntou por que ela não tinha medo.
Ela disse que o carro dele era alugado, a tela do celular tinha uma foto antiga da ex-namorada, e o cartão de crédito que ele usou tinha a faixa de rolagem enferrujada.
Hoje, eu atendo esse tipo de pessoa, amanhã, vou atender ainda mais.
Mas vocês não percebem, vocês só querem olhar para aquela tela dobrável.
Ela ficou atrás do balcão mais isolado, limpou um espelho que tinha marcas de dedo,
e, falando para o espelho, retocou o batom, dizendo: “Aqueles que te desprezam, é melhor enganar.”
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