O açúcar brasileiro recupera terreno à medida que a moeda se valoriza, mas a ameaça de excesso global de oferta coloca em risco os preços

Março NY açúcar mundial #11 fechou em alta de 0,03 pontos (+0,20%), enquanto o açúcar branco #5 da ICE Londres ganhou 2,50 pontos (+0,59%), sinalizando uma modesta recuperação em relação à fraqueza anterior. A recuperação reflete uma dinâmica curiosa no mercado de açúcar brasileiro: a força do real brasileiro em relação ao dólar está, na verdade, pesando na disposição dos produtores locais em vender, criando oportunidades de cobertura para os traders posicionados para quedas.

Efeito da Moeda Impulsiona Recuperação do Açúcar Brasileiro

O real brasileiro subiu para uma alta de 1 mês em relação ao dólar na terça-feira, o que pode parecer contraintuitivo para um exportador de commodities. No entanto, essa força desencoraja os produtores de açúcar do Brasil a venderem agressivamente suas exportações—quando a moeda local se valoriza, cada dólar ganho se converte em mais reais, reduzindo a urgência de garantir vendas. Essa dinâmica provocou atividade de cobertura em futuros de açúcar, à medida que traders que apostaram em novas quedas de preços reverteram suas posições.

Produção Recorde da Índia Reformula Dinâmicas de Exportação

O maior obstáculo para os preços do açúcar vem da Índia, o segundo maior produtor do mundo. A Associação de Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) relatou que a produção de açúcar indiana para a temporada 2025-26 (de 1 de outubro a 31 de dezembro) saltou 25% ano a ano para 11,90 MMT em comparação com 9,54 MMT no ano anterior. A ISMA, subsequentemente, elevou sua estimativa de produção de açúcar da Índia para 2025/26 para 31 MMT, um aumento de 18,8% ano a ano em relação a uma previsão anterior de 30 MMT.

Crucialmente, a ISMA cortou sua estimativa para o açúcar utilizado na produção de etanol para 3,4 MMT, em comparação com uma previsão anterior de 5 MMT, liberando oferta adicional para o mercado de exportação. O governo da Índia sinalizou disposição para permitir exportações adicionais de açúcar para gerenciar um excesso de oferta doméstica. Em novembro, o ministério da alimentação anunciou que permitiria que usinas exportassem 1,5 MMT na temporada 2025/26. Isso marca uma mudança significativa em relação ao sistema de cotas de exportação que a Índia impôs em 2022/23, quando chuvas tardias da monção ameaçaram os suprimentos domésticos—agora o problema se inverteu.

Aumento da Produção no Brasil Mascaram Fraquezas a Longo Prazo

A situação do Brasil apresenta um quadro mais nuançado. No curto prazo, o Brasil continua aumentando a produção. A Conab, agência de previsão de colheitas do Brasil, elevou sua estimativa de produção de açúcar do Brasil para 2025/26 para 45 MMT em novembro, a partir de uma previsão anterior de 44,5 MMT. A Unica relatou em dezembro que a produção acumulada de açúcar do Centro-Sul do Brasil para 2025-26 até novembro aumentou 1,1% ano a ano para 39,904 MMT. Além disso, a proporção de cana-de-açúcar esmagada para açúcar (em vez de etanol) aumentou para 51,12% em 2025/26, em comparação com 48,34% em 2024/25.

No entanto, olhando para o futuro, a consultoria Safras & Mercado projetou que a produção de açúcar do Brasil em 2026/27 diminuirá 3,91% para 41,8 MMT em relação às 43,5 MMT esperadas em 2025/26. As exportações de açúcar do Brasil estão previstas para cair 11% ano a ano para 30 MMT em 2026/27. Embora essa queda possa eventualmente estabilizar os preços, chega tarde demais para alívio imediato, uma vez que o foco atual do mercado permanece na abundância de oferta no curto prazo.

Superávit Global Esperado para Chegar ao Pico Antes de Normalizar

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) prevê um superávit de açúcar de 1,625 milhão de MT em 2025-26, revertendo um déficit de 2,916 milhões de MT em 2024-25. A ISO atribui essa mudança ao aumento da produção na Índia, Tailândia e Paquistão, combinado com um crescimento apenas moderado no consumo. A ISO projeta um aumento de 3,2% na produção global de açúcar ano a ano, totalizando 181,8 milhões de MT em 2025-26.

O trader de açúcar Czarnikow apresentou um quadro ainda mais sombrio, elevando sua estimativa de superávit de açúcar global para 2025/26 para 8,7 MMT em novembro, acima de uma estimativa de setembro de 7,5 MMT. Esse crescente superávit explica a pressão persistente sobre os preços, apesar da força de produção de açúcar do Brasil no curto prazo.

Crescimento da Tailândia Aumenta Pressões sobre a Oferta

A Tailândia, o terceiro maior produtor de açúcar do mundo e o segundo maior exportador, também está aumentando a produção. A Thai Sugar Millers Corp projetou em outubro que a safra de açúcar da Tailândia para 2025/26 aumentará 5% ano a ano para 10,5 MMT. Essa expansão, embora modesta em relação ao aumento da Índia, contribui para o ambiente de excesso de oferta global.

USDA Prevê Produção e Consumo Global Recordes

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgou seu relatório semestral em 16 de dezembro, apresentando o quadro mais expansivo até agora. O USDA projeta que a produção global de açúcar para 2025/26 aumentará 4,6% ano a ano, atingindo um recorde de 189,318 MMT, enquanto o consumo humano global de açúcar aumentará 1,4% ano a ano, alcançando um recorde de 177,921 MMT. Notavelmente, os estoques finais devem cair 2,9% ano a ano para 41,188 MMT—mas essa queda modesta ocorre a partir de níveis historicamente elevados.

O Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do USDA ofereceu previsões específicas por país: a produção de açúcar do Brasil para 2025/26 deve aumentar 2,3% ano a ano, atingindo um recorde de 44,7 MMT, enquanto a produção da Índia deve aumentar 25% ano a ano para 35,25 MMT, impulsionada por chuvas monçônicas favoráveis e expansão do cultivo de açúcar. A produção da Tailândia deve crescer 2% ano a ano para 10,25 MMT.

A imagem é clara: enquanto o açúcar do Brasil mantém uma capacidade de produção significativa, a convergência de produção global recorde, exportações indianas expandidas e aumento da oferta tailandesa cria obstáculos para a valorização dos preços no curto prazo.

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