28 de fevereiro de 2026, os corredores legislativos de Washington trouxeram uma notícia que deixou toda a indústria de criptomoedas em suspense. Sobre o núcleo do artigo “CLARITY” que discute se as stablecoins podem gerar rendimentos, uma disputa que decidirá o destino de um mercado de trilhões de dólares está entrando na fase final.
Visão geral do evento: uma disputa de soma zero sobre “direitos de rendimento”
A chamada “disputa de rendimento de stablecoins” é, na essência, uma luta pela propriedade dos lucros provenientes do depósito de fundos. Atualmente, as stablecoins regulamentadas, como USDT e USDC, cujos emissores investem suas reservas (principalmente títulos do governo dos EUA de curto prazo) para gerar juros, distribuem a maior parte desses lucros, além do lucro retido, na forma de “custos de distribuição” para exchanges e carteiras, enquanto os usuários finais quase não recebem nada.
O projeto de lei “CLARITY” em discussão no Congresso dos EUA tenta esclarecer essa estrutura de poder. Os últimos avanços nas negociações indicam que a indústria de criptomoedas já fez concessões importantes, aceitando o princípio central de que stablecoins de pagamento não podem pagar juros. No entanto, o setor bancário ainda não está satisfeito, fazendo lobby ativo para bloquear qualquer brecha que permita que fundos escapem do sistema bancário tradicional.
Contexto e linha do tempo: de Libra frustrada à “contraofensiva” dos bancos
A tensão entre stablecoins e bancos não surgiu ontem. Analisando essa linha do tempo, fica claro o aumento das contradições:
2019: Facebook (agora Meta) lança o projeto Libra, tentando criar uma moeda digital global apoiada por uma cesta de moedas. Essa iniciativa gerou pânico regulatório mundial, sendo vista como o início da vigilância bancária sobre stablecoins.
Março de 2023: o colapso do Silicon Valley Bank, com a Circle revelando que USDC tinha US$ 3,3 bilhões presos em seus US$ 40 bilhões de reservas, causando uma breve desancoragem do USDC. Esse evento expôs os riscos de conexão complexa entre stablecoins e o sistema bancário tradicional.
Julho de 2025: a Lei GÊNIO (Genius Act), que define oficialmente o status legal das stablecoins de pagamento em nível federal, é assinada. Ela proíbe explicitamente o pagamento de juros por stablecoins, classificando-as como meras “ferramentas de pagamento” e não como “ativos de investimento”.
Fevereiro de 2026: com o avanço das negociações do projeto de lei CLARITY, a Associação de Bancários Americana (ABA) e outras entidades enviam cartas ao Congresso alertando que permitir que plataformas de criptomoedas paguem juros pode levar a uma fuga de trilhões de dólares de depósitos de bancos altamente regulados para um “sistema bancário paralelo”, criando risco sistêmico.
Análise de dados e estrutura: quão real é o pânico de perda de US$ 310 bilhões em depósitos?
Atualmente, a circulação global de stablecoins é de cerca de US$ 314 bilhões, com USDT e USDC dominando 89% do mercado. Embora esse valor seja insignificante frente aos US$ 1,6 trilhão do mercado global de pagamentos B2B (apenas 0,01%), sua taxa de crescimento marginal é impressionante.
Quanto ao volume de fuga de fundos, há opiniões divergentes:
Otimistas (como o economista do Fed Wang Jiaxu): assumindo uma demanda conservadora, apenas US$ 65 bilhões poderiam sair dos bancos para stablecoins.
Céticos (como analistas do Departamento do Tesouro): até US$ 6,6 trilhões podem estar em risco de fuga.
Além disso, o relatório financeiro da Circle revela a dura estrutura de distribuição de lucros das stablecoins: no quarto trimestre de 2025, a Circle gerou US$ 733 milhões em rendimentos de reservas, dos quais US$ 461 milhões (cerca de 63%) foram pagos a parceiros de distribuição (exchanges e carteiras). Isso significa que, se as taxas de juros caírem ou a regulamentação se tornar mais rígida, os emissores que não controlam canais de distribuição serão os primeiros a sofrer.
Análise de opiniões públicas: quem são os “guardadores” e quem são os “revolucionários”?
Sobre a questão do rendimento das stablecoins, o mercado se divide claramente em três grandes grupos:
Dimensão de opinião
Argumento principal
Tendência emocional
Bancos: defesa dos depósitos
Permitir que entidades não bancárias paguem juros criará um “sistema bancário paralelo” sem supervisão prudencial, levando à perda de depósitos pelos bancos, enfraquecendo sua capacidade de emprestar à economia real e ameaçando a estabilidade financeira.
Forte oposição
Criptomoedas: competição justa
Os bancos apenas temem a concorrência. Assim como os fundos de mercado monetário foram considerados destrutivos para os bancos na sua origem, eles acabaram enriquecendo o ecossistema financeiro. A inovação tecnológica e a eficiência não devem ser bloqueadas por legislação.
A favor da competição
Academia/Neutros: reestruturação do sistema
A relação entre stablecoins e bancos não é uma disputa de soma zero. Como os caixas eletrônicos não eliminaram os caixas bancários, mas reduziram custos e criaram empregos, as stablecoins podem ajudar bancos a atender mercados de baixo lucro, reduzindo custos de conformidade.
Observação racional
Impacto na indústria: as três formas de os bancos “reagir”
Independentemente do resultado legislativo, os bancos tradicionais já estão “reagindo” de suas próprias maneiras:
Evolução da infraestrutura
O Barclays já busca fornecedores de tecnologia para criar plataformas de pagamento e depósito baseadas em tecnologia de ledger distribuído. O JPMorgan, com sua plataforma Kinexys (incluindo JPM Coin), já processa mais de US$ 2 bilhões por dia, com um volume total de liquidação superior a US$ 2 trilhões. Isso mostra que os bancos não rejeitam a tecnologia, mas tentam integrá-la ao quadro regulatório, criando uma alternativa de stablecoin tokenizada que seja compatível com as regras.
Construção de barreiras regulatórias
O foco do lobby bancário não é eliminar stablecoins, mas garantir que elas não tenham os “privilégios” de bancos (pagamento de juros) sem assumir suas “obrigações” (capital, seguro de depósitos, supervisão prudencial). Se o projeto de lei bloquear os canais de rendimento, as stablecoins se tornarão apenas “meios de pagamento”, enquanto o armazenamento de valor e geração de juros ficarão sob controle de depósitos tokenizados bancários.
Reconfiguração da relação de coopetição
O Société Générale já lançou sua stablecoin em euros, e dez bancos europeus criaram um projeto conjunto de stablecoin em euros. Os bancos estão mudando de “defensores” para “participantes”. No futuro, pode haver uma segmentação: stablecoins de pagamento, regulamentadas e de baixo rendimento, dominadas por bancos ou emissores sob supervisão; e ativos de maior risco e retorno, como criptoativos de rendimento, permanecendo no DeFi, sob regras completamente diferentes.
Cenários de evolução futura
Com base no cenário atual, é possível projetar três trajetórias para os próximos 12 a 24 meses:
Cenário 1: “Frente de batalha regulatória” (probabilidade 60%)
A Lei CLARITY proíbe explicitamente stablecoins de pagamento de gerar rendimentos e impõe requisitos semelhantes aos bancários para reservas e conformidade. Os bancos lançam produtos de depósitos tokenizados, formando novas redes de liquidação com clientes corporativos. As stablecoins tornam-se apenas “meios de pagamento”, com margens comprimidas, levando a uma consolidação do setor. Os usuários finais continuam sem rendimento, com fundos permanecendo no sistema bancário.
Embora stablecoins de pagamento não possam pagar juros diretamente, é possível obter rendimentos indiretamente via protocolos DeFi (como empréstimos ou staking). A inovação tecnológica supera a resposta regulatória, com usuários usando pontes entre blockchains e encapsulamento de ativos para acessar protocolos de rendimento, criando uma estrutura de “front-end regulamentado + backend de rendimento”, numa espécie de jogo de gato e rato entre inovação e regulação.
Cenário 3: “Reversão de paradigma” (probabilidade 10%)
Se bancos como Barclays e JPMorgan adotarem amplamente a tecnologia blockchain e perceberem vantagens na tokenização de depósitos, podem pressionar por mudanças na proibição de pagar juros, permitindo que stablecoins ou depósitos tokenizados sob supervisão paguem juros aos usuários. Assim, a fronteira entre bancos e stablecoins se tornaria indistinta, com o sistema financeiro tradicional absorvendo a tecnologia de stablecoins por meio de uma espécie de “reconciliação”.
Conclusão
A disputa pelo rendimento das stablecoins é uma redistribuição do “imposto seigniorage” na digitalização da moeda. As concessões do setor de criptomoedas na legislação não representam o fim da guerra, mas uma mudança na forma do conflito. Os bancos tradicionais não estão apenas resistindo à invasão, mas reconhecendo a inevitabilidade da revolução tecnológica, buscando, por meio de vantagens regulatórias e infraestrutura, retomar o controle sobre pagamentos e depósitos.
Para os participantes do mercado, seja qual for o desfecho — “frente de batalha” ou “mudança de paradigma” — uma mensagem clara já surge: stablecoins deixaram de ser apenas um jogo interno do setor cripto, tornando-se o núcleo da atualização da infraestrutura financeira global. E os verdadeiros vencedores podem ser aqueles que encontrarem o equilíbrio delicado entre regulação, tecnologia e interesses comerciais.
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Aumento na competição pelos rendimentos de stablecoins: Como os bancos tradicionais vão reagir após as concessões do setor de criptomoedas?
28 de fevereiro de 2026, os corredores legislativos de Washington trouxeram uma notícia que deixou toda a indústria de criptomoedas em suspense. Sobre o núcleo do artigo “CLARITY” que discute se as stablecoins podem gerar rendimentos, uma disputa que decidirá o destino de um mercado de trilhões de dólares está entrando na fase final.
Visão geral do evento: uma disputa de soma zero sobre “direitos de rendimento”
A chamada “disputa de rendimento de stablecoins” é, na essência, uma luta pela propriedade dos lucros provenientes do depósito de fundos. Atualmente, as stablecoins regulamentadas, como USDT e USDC, cujos emissores investem suas reservas (principalmente títulos do governo dos EUA de curto prazo) para gerar juros, distribuem a maior parte desses lucros, além do lucro retido, na forma de “custos de distribuição” para exchanges e carteiras, enquanto os usuários finais quase não recebem nada.
O projeto de lei “CLARITY” em discussão no Congresso dos EUA tenta esclarecer essa estrutura de poder. Os últimos avanços nas negociações indicam que a indústria de criptomoedas já fez concessões importantes, aceitando o princípio central de que stablecoins de pagamento não podem pagar juros. No entanto, o setor bancário ainda não está satisfeito, fazendo lobby ativo para bloquear qualquer brecha que permita que fundos escapem do sistema bancário tradicional.
Contexto e linha do tempo: de Libra frustrada à “contraofensiva” dos bancos
A tensão entre stablecoins e bancos não surgiu ontem. Analisando essa linha do tempo, fica claro o aumento das contradições:
Análise de dados e estrutura: quão real é o pânico de perda de US$ 310 bilhões em depósitos?
Atualmente, a circulação global de stablecoins é de cerca de US$ 314 bilhões, com USDT e USDC dominando 89% do mercado. Embora esse valor seja insignificante frente aos US$ 1,6 trilhão do mercado global de pagamentos B2B (apenas 0,01%), sua taxa de crescimento marginal é impressionante.
Quanto ao volume de fuga de fundos, há opiniões divergentes:
Além disso, o relatório financeiro da Circle revela a dura estrutura de distribuição de lucros das stablecoins: no quarto trimestre de 2025, a Circle gerou US$ 733 milhões em rendimentos de reservas, dos quais US$ 461 milhões (cerca de 63%) foram pagos a parceiros de distribuição (exchanges e carteiras). Isso significa que, se as taxas de juros caírem ou a regulamentação se tornar mais rígida, os emissores que não controlam canais de distribuição serão os primeiros a sofrer.
Análise de opiniões públicas: quem são os “guardadores” e quem são os “revolucionários”?
Sobre a questão do rendimento das stablecoins, o mercado se divide claramente em três grandes grupos:
Impacto na indústria: as três formas de os bancos “reagir”
Independentemente do resultado legislativo, os bancos tradicionais já estão “reagindo” de suas próprias maneiras:
Evolução da infraestrutura
O Barclays já busca fornecedores de tecnologia para criar plataformas de pagamento e depósito baseadas em tecnologia de ledger distribuído. O JPMorgan, com sua plataforma Kinexys (incluindo JPM Coin), já processa mais de US$ 2 bilhões por dia, com um volume total de liquidação superior a US$ 2 trilhões. Isso mostra que os bancos não rejeitam a tecnologia, mas tentam integrá-la ao quadro regulatório, criando uma alternativa de stablecoin tokenizada que seja compatível com as regras.
Construção de barreiras regulatórias
O foco do lobby bancário não é eliminar stablecoins, mas garantir que elas não tenham os “privilégios” de bancos (pagamento de juros) sem assumir suas “obrigações” (capital, seguro de depósitos, supervisão prudencial). Se o projeto de lei bloquear os canais de rendimento, as stablecoins se tornarão apenas “meios de pagamento”, enquanto o armazenamento de valor e geração de juros ficarão sob controle de depósitos tokenizados bancários.
Reconfiguração da relação de coopetição
O Société Générale já lançou sua stablecoin em euros, e dez bancos europeus criaram um projeto conjunto de stablecoin em euros. Os bancos estão mudando de “defensores” para “participantes”. No futuro, pode haver uma segmentação: stablecoins de pagamento, regulamentadas e de baixo rendimento, dominadas por bancos ou emissores sob supervisão; e ativos de maior risco e retorno, como criptoativos de rendimento, permanecendo no DeFi, sob regras completamente diferentes.
Cenários de evolução futura
Com base no cenário atual, é possível projetar três trajetórias para os próximos 12 a 24 meses:
Cenário 1: “Frente de batalha regulatória” (probabilidade 60%)
A Lei CLARITY proíbe explicitamente stablecoins de pagamento de gerar rendimentos e impõe requisitos semelhantes aos bancários para reservas e conformidade. Os bancos lançam produtos de depósitos tokenizados, formando novas redes de liquidação com clientes corporativos. As stablecoins tornam-se apenas “meios de pagamento”, com margens comprimidas, levando a uma consolidação do setor. Os usuários finais continuam sem rendimento, com fundos permanecendo no sistema bancário.
Cenário 2: “Resgate tecnológico” (probabilidade 30%)
Embora stablecoins de pagamento não possam pagar juros diretamente, é possível obter rendimentos indiretamente via protocolos DeFi (como empréstimos ou staking). A inovação tecnológica supera a resposta regulatória, com usuários usando pontes entre blockchains e encapsulamento de ativos para acessar protocolos de rendimento, criando uma estrutura de “front-end regulamentado + backend de rendimento”, numa espécie de jogo de gato e rato entre inovação e regulação.
Cenário 3: “Reversão de paradigma” (probabilidade 10%)
Se bancos como Barclays e JPMorgan adotarem amplamente a tecnologia blockchain e perceberem vantagens na tokenização de depósitos, podem pressionar por mudanças na proibição de pagar juros, permitindo que stablecoins ou depósitos tokenizados sob supervisão paguem juros aos usuários. Assim, a fronteira entre bancos e stablecoins se tornaria indistinta, com o sistema financeiro tradicional absorvendo a tecnologia de stablecoins por meio de uma espécie de “reconciliação”.
Conclusão
A disputa pelo rendimento das stablecoins é uma redistribuição do “imposto seigniorage” na digitalização da moeda. As concessões do setor de criptomoedas na legislação não representam o fim da guerra, mas uma mudança na forma do conflito. Os bancos tradicionais não estão apenas resistindo à invasão, mas reconhecendo a inevitabilidade da revolução tecnológica, buscando, por meio de vantagens regulatórias e infraestrutura, retomar o controle sobre pagamentos e depósitos.
Para os participantes do mercado, seja qual for o desfecho — “frente de batalha” ou “mudança de paradigma” — uma mensagem clara já surge: stablecoins deixaram de ser apenas um jogo interno do setor cripto, tornando-se o núcleo da atualização da infraestrutura financeira global. E os verdadeiros vencedores podem ser aqueles que encontrarem o equilíbrio delicado entre regulação, tecnologia e interesses comerciais.