Os mercados de petróleo bruto experimentaram uma recuperação significativa na terça-feira, com o crude WTI de março (CLH26) encerrando com uma subida de +1.76 (+2.90%), enquanto a gasolina RBOB de março (RBH26) avançou +0.0444 (+2.42%). O ganho combinado de mais de 3 dólares nestes contratos reflete uma confluência de fatores otimistas que estão a remodelar o panorama energético. O crude WTI atingiu uma máxima de 3 meses, enquanto a gasolina subiu a um pico de 8 semanas, sinalizando uma renovada força no complexo energético impulsionada por uma moeda a enfraquecer e riscos geopolíticos em escalada.
A Queda do Dólar Alimenta a Recuperação
A queda do índice do dólar (DXY00) na terça-feira para um mínimo de quase 4 anos emergiu como um catalisador principal para preços mais altos de energia. Uma moeda americana mais fraca torna o petróleo—com preços internacionalmente cotados em dólares—mais atrativo para compradores estrangeiros, reduzindo efetivamente o custo em outras moedas e aumentando a procura. Esta vantagem mecânica, combinada com o poder de compra reduzido dos detentores de dólares, cria um ambiente onde as commodities beneficiam substancialmente. A depreciação cambial por si só explica grande parte do impulso de terça-feira, com os traders a reavaliarem as suas posições nos mercados de energia em resposta à suavidade inesperada do dólar.
Riscos Geopolíticos Elevam Preocupações com o Abastecimento
Para além da dinâmica cambial, preocupações militares em torno do Irã fornecem suporte crítico às avaliações do crude. O anúncio do Presidente Trump de que uma “grande armada” de navios militares dos EUA está a posicionar-se em direção ao Médio Oriente—juntamente com a esperança expressa de que a intervenção militar não será necessária—reforça a fragilidade das cadeias de abastecimento globais de petróleo. O Irã, como o quarto maior produtor da OPEP, representa uma parte significativa das exportações globais de crude, e qualquer perturbação nas remessas reverberaria nos mercados. Declarações anteriores da administração Trump sobre possíveis ataques a instalações governamentais iranianas acrescentam uma camada adicional de incerteza, mantendo os traders atentos a riscos de notícias que possam restringir o oferta sem aviso prévio.
O conflito Rússia-Ucrânia complica ainda mais as perspetivas de abastecimento. Declarações recentes do Kremlin que rejeitam esperanças de uma solução iminente—citando disputas territoriais não resolvidas e a ausência de um caminho para uma resolução a longo prazo—sugerem que o conflito persistirá, mantendo sanções e restrições às exportações de crude russas. Esta restrição prolongada de oferta permanece fundamentalmente otimista para os preços globais do petróleo.
Perturbações na Oferta Intensificam-se por Ação Direta
A campanha militar crescente da Ucrânia contra infraestruturas russas prejudicou diretamente as capacidades de produção de crude. Nos últimos cinco meses, ataques de drones e mísseis ucranianos danificaram pelo menos 28 refinarias russas, limitando significativamente a capacidade de Moscovo de processar e exportar crude. Desde o final de novembro, a Ucrânia intensificou ataques a petroleiros russos, com pelo menos seis navios atingidos no Mar Báltico por drones e mísseis. Estas interrupções diretas na cadeia de abastecimento reduzem o inventário global de crude disponível para consumo, criando um suporte estrutural abaixo dos preços do petróleo.
Novas sanções dos EUA e da UE direcionadas às empresas petrolíferas russas, infraestruturas e frotas de transporte agravaram estas perturbações, restringindo ainda mais a capacidade de exportação de crude russa. O efeito cumulativo—danos de combate, sanções e perdas no transporte—cria um défice de oferta a curto prazo que estabiliza os preços em níveis elevados.
A OPEP+ Mantém-se Firme na Política Apesar dos Ventos Contrários
A OPEP+ anunciou a 3 de janeiro a intenção de manter a sua pausa na produção durante o 1º trimestre de 2026, oferecendo suporte psicológico ao mercado. A decisão reflete o reconhecimento de excedentes globais emergentes de crude, que levaram à decisão de parar aumentos de produção após o modesto aumento de +137.000 bpd em dezembro, vindo da reunião de novembro. A OPEP+ pretende restaurar totalmente o corte de 2,2 milhões de barris por dia iniciado no início de 2024, mas 1,2 milhões de bpd permanecem por restaurar, dando ao cartel margem para aumentar a oferta gradualmente, se as condições de mercado permitirem.
A próxima reunião de fim de semana da OPEP+ deverá reafirmar a postura atual de produção, mantendo a disciplina de oferta a curto prazo e evitando uma entrada adicional de crude nos mercados já em baixa.
Excesso de Oferta Global Aperta, Dinâmicas de Inventário Alteram-se
A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu a sua estimativa de excedente global de crude para 2026 para 3,7 milhões de barris por dia, de 3,815 milhões de bpd na projeção do mês passado—uma redução modesta, mas simbólica. Simultaneamente, a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) aumentou a sua previsão de produção de crude americana para 13,59 milhões de bpd em 2026 (de 13,53 milhões de bpd), refletindo confiança na produção doméstica apesar da fraqueza mais ampla. No entanto, a EIA também cortou a sua estimativa de consumo de energia nos EUA para 95,37 quadrilhões de BTU em 2026, de 95,68, sinalizando possíveis obstáculos na procura se o crescimento económico desacelerar.
Dados recentes de inventário mostram que o crude armazenado em navios parados—um proxy de armazenamento flutuante e excesso de mercado—reduziu 0,6% semana a semana para 113,30 milhões de barris na semana que terminou no final de janeiro, segundo a Vortexa. Esta redução sugere um aperto, embora as expectativas de consenso tenham previsto um aumento de aproximadamente 1,95 milhões de barris nos inventários de crude na última análise da EIA, com as reservas de gasolina a subir cerca de 2,55 milhões de barris.
A avaliação semanal mais recente da EIA revelou que os inventários de crude nos EUA estão 2,5% abaixo da média sazonal de cinco anos, um défice que normalmente apoia os preços. No entanto, os inventários de gasolina permanecem elevados, 5,0% acima das normas sazonais, e os stocks de destilados estão marginalmente abaixo da média, a -0,5%, pintando um quadro de inventário misto.
Capacidade de Produção Sob Pressão
A produção de crude dos EUA na semana que terminou em meados de janeiro caiu 0,2% semana a semana, para 13,732 milhões de bpd, ligeiramente abaixo do recorde de 13,862 milhões de bpd atingido em novembro. Mais preocupante, o número de plataformas de petróleo ativas nos EUA aumentou apenas marginalmente em +1 unidade, para 411 plataformas—ainda perto do mínimo de 4,25 anos de 406 plataformas registado em dezembro. Nos últimos 2,5 anos, o número de plataformas encolheu acentuadamente desde o pico de 5,5 anos de 627 plataformas em dezembro de 2022, refletindo preços mais baixos das commodities e uma redução na alocação de capital para perfuração terrestre. Esta contração estrutural na capacidade de perfuração sugere que o crescimento da produção nos EUA enfrentará obstáculos, apesar da forte procura global.
A convergência de perturbações na oferta, disciplina de política e capacidade limitada nos EUA reforça a perspetiva de preços de energia sustentados, na faixa de mais de 3 dólares, que os mercados recuperaram na terça-feira.
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Os preços do petróleo sobem mais de 3 dólares, atingindo máximos de 3 meses, devido à fraqueza do dólar e às tensões com o Irã
Os mercados de petróleo bruto experimentaram uma recuperação significativa na terça-feira, com o crude WTI de março (CLH26) encerrando com uma subida de +1.76 (+2.90%), enquanto a gasolina RBOB de março (RBH26) avançou +0.0444 (+2.42%). O ganho combinado de mais de 3 dólares nestes contratos reflete uma confluência de fatores otimistas que estão a remodelar o panorama energético. O crude WTI atingiu uma máxima de 3 meses, enquanto a gasolina subiu a um pico de 8 semanas, sinalizando uma renovada força no complexo energético impulsionada por uma moeda a enfraquecer e riscos geopolíticos em escalada.
A Queda do Dólar Alimenta a Recuperação
A queda do índice do dólar (DXY00) na terça-feira para um mínimo de quase 4 anos emergiu como um catalisador principal para preços mais altos de energia. Uma moeda americana mais fraca torna o petróleo—com preços internacionalmente cotados em dólares—mais atrativo para compradores estrangeiros, reduzindo efetivamente o custo em outras moedas e aumentando a procura. Esta vantagem mecânica, combinada com o poder de compra reduzido dos detentores de dólares, cria um ambiente onde as commodities beneficiam substancialmente. A depreciação cambial por si só explica grande parte do impulso de terça-feira, com os traders a reavaliarem as suas posições nos mercados de energia em resposta à suavidade inesperada do dólar.
Riscos Geopolíticos Elevam Preocupações com o Abastecimento
Para além da dinâmica cambial, preocupações militares em torno do Irã fornecem suporte crítico às avaliações do crude. O anúncio do Presidente Trump de que uma “grande armada” de navios militares dos EUA está a posicionar-se em direção ao Médio Oriente—juntamente com a esperança expressa de que a intervenção militar não será necessária—reforça a fragilidade das cadeias de abastecimento globais de petróleo. O Irã, como o quarto maior produtor da OPEP, representa uma parte significativa das exportações globais de crude, e qualquer perturbação nas remessas reverberaria nos mercados. Declarações anteriores da administração Trump sobre possíveis ataques a instalações governamentais iranianas acrescentam uma camada adicional de incerteza, mantendo os traders atentos a riscos de notícias que possam restringir o oferta sem aviso prévio.
O conflito Rússia-Ucrânia complica ainda mais as perspetivas de abastecimento. Declarações recentes do Kremlin que rejeitam esperanças de uma solução iminente—citando disputas territoriais não resolvidas e a ausência de um caminho para uma resolução a longo prazo—sugerem que o conflito persistirá, mantendo sanções e restrições às exportações de crude russas. Esta restrição prolongada de oferta permanece fundamentalmente otimista para os preços globais do petróleo.
Perturbações na Oferta Intensificam-se por Ação Direta
A campanha militar crescente da Ucrânia contra infraestruturas russas prejudicou diretamente as capacidades de produção de crude. Nos últimos cinco meses, ataques de drones e mísseis ucranianos danificaram pelo menos 28 refinarias russas, limitando significativamente a capacidade de Moscovo de processar e exportar crude. Desde o final de novembro, a Ucrânia intensificou ataques a petroleiros russos, com pelo menos seis navios atingidos no Mar Báltico por drones e mísseis. Estas interrupções diretas na cadeia de abastecimento reduzem o inventário global de crude disponível para consumo, criando um suporte estrutural abaixo dos preços do petróleo.
Novas sanções dos EUA e da UE direcionadas às empresas petrolíferas russas, infraestruturas e frotas de transporte agravaram estas perturbações, restringindo ainda mais a capacidade de exportação de crude russa. O efeito cumulativo—danos de combate, sanções e perdas no transporte—cria um défice de oferta a curto prazo que estabiliza os preços em níveis elevados.
A OPEP+ Mantém-se Firme na Política Apesar dos Ventos Contrários
A OPEP+ anunciou a 3 de janeiro a intenção de manter a sua pausa na produção durante o 1º trimestre de 2026, oferecendo suporte psicológico ao mercado. A decisão reflete o reconhecimento de excedentes globais emergentes de crude, que levaram à decisão de parar aumentos de produção após o modesto aumento de +137.000 bpd em dezembro, vindo da reunião de novembro. A OPEP+ pretende restaurar totalmente o corte de 2,2 milhões de barris por dia iniciado no início de 2024, mas 1,2 milhões de bpd permanecem por restaurar, dando ao cartel margem para aumentar a oferta gradualmente, se as condições de mercado permitirem.
A próxima reunião de fim de semana da OPEP+ deverá reafirmar a postura atual de produção, mantendo a disciplina de oferta a curto prazo e evitando uma entrada adicional de crude nos mercados já em baixa.
Excesso de Oferta Global Aperta, Dinâmicas de Inventário Alteram-se
A Agência Internacional de Energia (AIE) reduziu a sua estimativa de excedente global de crude para 2026 para 3,7 milhões de barris por dia, de 3,815 milhões de bpd na projeção do mês passado—uma redução modesta, mas simbólica. Simultaneamente, a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA) aumentou a sua previsão de produção de crude americana para 13,59 milhões de bpd em 2026 (de 13,53 milhões de bpd), refletindo confiança na produção doméstica apesar da fraqueza mais ampla. No entanto, a EIA também cortou a sua estimativa de consumo de energia nos EUA para 95,37 quadrilhões de BTU em 2026, de 95,68, sinalizando possíveis obstáculos na procura se o crescimento económico desacelerar.
Dados recentes de inventário mostram que o crude armazenado em navios parados—um proxy de armazenamento flutuante e excesso de mercado—reduziu 0,6% semana a semana para 113,30 milhões de barris na semana que terminou no final de janeiro, segundo a Vortexa. Esta redução sugere um aperto, embora as expectativas de consenso tenham previsto um aumento de aproximadamente 1,95 milhões de barris nos inventários de crude na última análise da EIA, com as reservas de gasolina a subir cerca de 2,55 milhões de barris.
A avaliação semanal mais recente da EIA revelou que os inventários de crude nos EUA estão 2,5% abaixo da média sazonal de cinco anos, um défice que normalmente apoia os preços. No entanto, os inventários de gasolina permanecem elevados, 5,0% acima das normas sazonais, e os stocks de destilados estão marginalmente abaixo da média, a -0,5%, pintando um quadro de inventário misto.
Capacidade de Produção Sob Pressão
A produção de crude dos EUA na semana que terminou em meados de janeiro caiu 0,2% semana a semana, para 13,732 milhões de bpd, ligeiramente abaixo do recorde de 13,862 milhões de bpd atingido em novembro. Mais preocupante, o número de plataformas de petróleo ativas nos EUA aumentou apenas marginalmente em +1 unidade, para 411 plataformas—ainda perto do mínimo de 4,25 anos de 406 plataformas registado em dezembro. Nos últimos 2,5 anos, o número de plataformas encolheu acentuadamente desde o pico de 5,5 anos de 627 plataformas em dezembro de 2022, refletindo preços mais baixos das commodities e uma redução na alocação de capital para perfuração terrestre. Esta contração estrutural na capacidade de perfuração sugere que o crescimento da produção nos EUA enfrentará obstáculos, apesar da forte procura global.
A convergência de perturbações na oferta, disciplina de política e capacidade limitada nos EUA reforça a perspetiva de preços de energia sustentados, na faixa de mais de 3 dólares, que os mercados recuperaram na terça-feira.