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Depois do Google, a Microsoft(MSFT.US) também enfrenta "a porta": a tempestade antitruste no Japão intensifica-se, e os gigantes tecnológicos do setor de nuvem enfrentam testes de conformidade
De acordo com uma fonte familiarizada, a Comissão de Comércio Justo do Japão (JFTC) realizou uma inspeção surpresa na sede da Microsoft no Japão em 25 de fevereiro. A ação visa investigar se a Microsoft está a abusar da sua posição dominante nos mercados de sistemas operativos e software de escritório, promovendo indevidamente a sua plataforma de nuvem Azure e limitando a concorrência. As autoridades suspeitam que a Microsoft tenha estabelecido condições de licença injustas, fazendo com que os clientes enfrentem custos mais elevados ou obstáculos técnicos mais complexos ao utilizarem Windows Server ou Microsoft 365 em plataformas de terceiros como Amazon AWS ou Google Cloud.
Um porta-voz da Comissão de Comércio Justo do Japão recusou-se a comentar. Um representante da Microsoft Japão afirmou, numa declaração, que a empresa está a cooperar totalmente com as autoridades.
Na verdade, a intervenção da Comissão de Comércio Justo do Japão não é casual, mas uma resposta ativa à tendência global de regulação contra práticas de “lock-in” de fornecedores por grandes empresas de tecnologia. Sabe-se que a Microsoft está numa competição acirrada com a AWS da Amazon e a Google Cloud da Alphabet, disputando clientes nos setores de serviços de nuvem e inteligência artificial. Estas três principais fornecedoras de serviços de nuvem nos EUA consideram o Japão um mercado estratégico — devido à presença de grandes grupos empresariais e bancos — e investem recursos significativos para garantir uma posição de liderança.
As autoridades temem que, se a Microsoft usar a sua vantagem na licença de software para forçar os utilizadores a vincularem-se aos seus serviços Azure, isso possa prejudicar a concorrência no mercado de nuvem e aumentar os custos de transformação digital das empresas a longo prazo. Assim, o regulador antitruste do Japão está a tomar medidas cada vez mais firmes para conter a expansão monopolista de grandes empresas tecnológicas americanas, alinhando-se com as posições de reguladores estrangeiros.
Com a União Europeia e os EUA já a investigarem aprofundadamente práticas semelhantes de bundling, a intervenção de destaque do Japão indica que as principais economias globais estão a reforçar o consenso sobre o acesso justo às infraestruturas de nuvem. Vale notar que, no ano passado, a Comissão de Comércio Justo do Japão emitiu uma ordem de cessação à Google, acusando a empresa de Android de exigir que parceiros comerciais promovam prioritariamente os seus aplicativos móveis, abusando de posição dominante no mercado.
Com o rápido desenvolvimento da inteligência artificial generativa, espera-se que o mercado de serviços de nuvem expanda rapidamente — uma tecnologia que depende fortemente de clusters de servidores de alto desempenho. Apesar de existirem operadores de centros de dados no Japão (com o governo a apoiar essas empresas para fortalecer a segurança cibernética nacional), a posição dominante no mercado de nuvem local ainda é mantida por fornecedores americanos, como na maioria dos países.
A IDC prevê que, até 2029, o mercado de computação em nuvem do Japão atingirá 19 trilhões de ienes (aproximadamente 121 mil milhões de dólares), quase o dobro do total de 2024. Ao mesmo tempo, a Comissão de Comércio Justo do Japão declarou claramente que deseja garantir um ambiente de concorrência justo e ordenado durante o período de crescimento acelerado da procura de mercado.